terça-feira, 25 de junho de 2013

Breve histórico das ferrovias pernambucanas


  O estado de Pernambuco foi o primeiro do Nordeste e segundo do Brasil a possuir uma ferrovia. O primeiro trecho ferroviário de nosso estado foi inaugurado em 1858, mais precisamente a 8 de Fevereiro de 1858, entre as estações de Cinco Pontas (no Recife) e a estação ferroviária da Vila do Cabo (esta até hoje existente e em uso desde sua inauguração há 155 anos). Era este o trecho inicial da Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco que tinha o propósito inicial de ligar a capital pernambucana à cachoeira de Paulo Afonso do rio São Francisco.
Estação Ferroviária do Cabo. (Foto: Arquivo pessoal - 2009)

  A partir daí surgiram outros caminhos de ferro que facilitaram muito a ligação entre o interior e o litoral do estado. Enquanto a E. F. Recife ao São Francisco era prolongada, atingindo Una (atual Palmares) em 1862, Catende (1882) e Garanhuns (1887), era criada na Inglaterra no ano de 1872 a The Great Western of Brazil Railway Company que ganhara do Império Brasileiro a concessão de explorar uma ferrovia no estado de Pernambuco, ligando Recife a Limoeiro. Em 1879 foi lançada a pedra fundamental desta ferrovia, sendo inaugurada em 1882. Neste mesmo ano, a Estrada de Ferro Central de Pernambuco, que tinha a proposta de ligar a capital pernambucana ao Agreste, iniciara suas obras de construção, inaugurando seu primeiro trecho entre a estação Central do Recife e Jaboatão em 1885.
  No início do século XX, com a proposta de unificação da rede, a Great Western assumiu a concessão das demais ferrovias pernambucanas. Daí nossas ferrovias ficaram organizadas da seguinte forma:
Linha Centro: Antiga Estrada de Ferro Central de Pernambuco, partindo da estação Central com direção ao Sertão, passando pela região central do estado.
Linha Norte: Partindo da estação do Brum, no Recife, cortando a Zona da Mata Norte do estado e se ligando com o estado da Paraíba, com ramal de Carpina a Limoeiro (posteriormente prolongado a Bom Jardim).
Linha Sul: Antiga Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco, partindo da estação de Cinco Pontas, cruzando a Zona da Mata Sul e se ligando com o estado de Alagoas, possuindo ramais para Garanhuns, Barreiros e Cortês.
Estação Ferroviária do Brum. (Foto: Arquivo pessoal - 2009)

  Em 1934 foi centralizada para a Estação Central do Recife, a partida de todos os trens que saiam da capital pernambucana. Em 1937, era inaugurada a estação terminal de Bom Jardim do prolongamento do Ramal Limoeiro – Carpina. Neste mesmo ano, a Linha Centro atingia o município de Sertânia.
  Em 1950, foi criada a Rede Ferroviária do Nordeste (RFN) para abranger as ferrovias oriunda da Great Western extinta neste ano. Esta companhia iniciou o processo de “diselização (mudança de tração a vapor dos trens, para diesel)” das ferrovias pernambucanas, com a aquisição em 1954 de 13 locomotivas diesel-elétricas, as English Electric, das quais o último exemplar foi salvo e está no Museu do Trem do Recife.

Estação Ferroviária de Sanharó, na Linha Centro
(Foto: Arquivo pessoal - Jan, 2009).
Em 1957, devido ao crescente número de estatizações das ferrovias por todo o país, foi criada a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), que abrangeu também a RFN que ficou como subdivisão da RFFSA.
  Na década de 1960 foi concluído o último trecho da Linha Centro, com a inauguração da estação terminal de Salgueiro; também nessa mesma época a RFFSA lançou um programa de erradicação de ramais antieconômicos que condenou vários ramais ferroviários pelo Brasil. Infelizmente, ramais pernambucanos não ficaram de fora e em 1968 o Ramal de Bom Jardim, já sem uso desde 1963 por conta de uma cheia que havia desaterrado os trilhos em um trecho, foi oficialmente erradicado; em 1970 foi a vez do Ramal de Cortês, em 1971 o Ramal de Garanhuns e no fim da década de 1980, o Ramal de Barreiros.
  No início da década de 1980,a estação Central do Recife foi desativada para a construção da via do Metrô do Recife. Foi então construída para assumir o papel da antiga Central, no local onde ficava a antiga estação de Cinco Pontas (demolida em 1969 para construção do viaduto de Cinco Pontas sobre a Avenida Sul, no Recife), uma “nova” estação Cinco Pontas.
  A década de 1980 também foi marcada pela desativação dos trens de passageiros de longo percurso entre nas Linhas Norte, Sul e Centro. Na década de 1990, foi a vez dos trens cargueiros da RFFSA que circulavam nessas linhas.
Início do pátio de manobras da estação ferroviária
de Ribeirão, na Linha Sul (Foto: Arquivo pessoal - Jan, 2013)

  Em 1998, as ferrovias pernambucanas foram privatizadas, assumindo sua concessão a CFN (Companhia Ferroviária do Nordeste).
  Hoje, o atual quadro do patrimônio ferroviário de Pernambuco é triste: estações abandonadas e arruinadas por todas as linhas, roubo de trilhos e invasões na Linha Centro (sem uso desde 2001, quando circulou o último Trem do Forró de Caruaru, último a utilizar a linha). Por outro lado algumas estações foram salvas por iniciativas municipais que contribuíram muito dessa forma para a preservação da memória da ferrovia pernambucana, sendo transformadas em centros culturais, museus, bibliotecas e são pontos turísticos das cidades que realizaram essa elogiável atitude.

CURIOSIDADES
A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DO CABO-PE, EM USO PELA CBTU, É A MAIS ANTIGA DO BRASIL AINDA EM FUNCIONAMENTO.
O TÚNEL DO PAVÃO, A ALGUNS QUILÔMETROS DA ESTAÇÃO DO CABO, É O MAIS ANTIGO DO BRASIL.
O TRECHO DA LINHA CENTRO ENTRE RECIFE E GRAVATÁ É TOMBADO PELA FUNDARPE.

Referências:
Pinto, Estevão – História de uma estrada de ferro do Nordeste, Editora Livraria José Olimpyo, 1949.
Côrtes, Eduardo - Da Great Western ao metrô do Recife, Editora Persona, 2004.
Estações Ferroviárias do Brasil – www.estacoesferroviarias.com.br

Para saber mais sobre a história da ferrovia em Pernambuco, fale conosco através do e-mail:
mfpe1858@hotmail.com
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6 comentários:

  1. http://pajaracas.blogspot.com.br/2013/07/os-trilhos-das-estacao-ferroviaria-de.html

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  2. Muito bom o blog, cara. As informações são muito importante para que o legado da antiga malha ferroviária de Pernambuco não seja completamente esquecida.

    Abraços e a gente se vê na Universidade o/

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  3. governantes e a própria empresa ferroviária ,tem culpa desse sucateamento manutenção ,modernização e outras coisas .são uns caras de pau cupins de ferro kkkkkkkkkk

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  4. essas estações fantasmas restauradas sem trens circulando não vale nada !

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  5. projeto sem restauração de estações ,linhas e trens é pura balela projeto memòria de barata kkkkkkkk

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