quarta-feira, 22 de junho de 2016

Em Pernambuco, Trem do Forró mantêm viva segunda ferrovia do Brasil

No último dia 11 de Junho de 2016, o Projeto Memória Ferroviária pode acompanhar e registrar o tradicional Trem do Forró pernambucano, que é realizado desde 1991. A iniciativa da Serrambi Turismo, do forró sobre trilhos, já virou tradição no mês de Junho. De início o percurso era feito pela Linha Centro de Pernambuco, no trecho entre Recife e Caruaru. Devido às condições da linha que, sem a devida manutenção e já não oferecia segurança, o percurso teve de ser alterado no ano de 2000 e desde então o trajeto feito pelo Trem do Forró é do Recife ao Cabo de Santo Agostinho. Curiosamente, o primeiro trecho ferroviário do estado, o segundo do Brasil.

Acima, imagem da primeira viagem, em 1858, abaixo registro
do Trem do Forró em 2016, partindo do mesmo lugar, por trás
da Igreja Matriz de São José, no Recife. 

Inaugurado em 8 de Fevereiro de 1858, o trecho Recife - Cabo da Recife and São Francisco Railway foi o marco inicial para a história da ferrovia em Pernambuco. Desta época ainda há a Estação Ferroviária do Cabo, ainda a original que recebeu as primeiras viagens e que hoje, com mais de 150 anos em atividade, ainda é terminal em operação do sistema de VLT da CBTU - Recife. E, no mês de Junho, é destino do Trem do Forró.
Este ano o Trem do Forró voltou a partir da plataforma da antiga Estação Ferroviária de Cinco Pontas, a qual foi construída em 1983 e desativada no fim dos anos 1990. Do mesmo lugar de onde partiu o primeiro trem pernambucano, em 1858, quando ainda não havia a estação. Cinco Pontas só veio a ser construída em 1884, sendo demolida em 1969 para a execução do Viaduto das Cinco Pontas. Os trens de passageiros com destino a Linha Sul deixaram de partir de Cinco Pontas na década de 1930, sendo transferidos para a Estação Central do Recife (atual Museu do Trem do Recife). Com a desativação desta para as obras do Metrô do Recife, em 1983, foi adaptada em alguns galpões uma nova estação de passageiros em Cinco Pontas, a atual. No entanto, o Pátio de Cinco Pontas se manteve enquanto terminal de cargas.
Locomotiva ALCo 6003, da CBTU, a frente do Trem do Forró
na plataforma da Estação de Cinco Pontas. (Imagem: André Cardoso/
Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco)
Hoje, sem os trens de carga e de passageiros partindo de Cinco Pontas, o trecho ganha vida anualmente com as viagens do Trem do Forró. Apenas o trecho entre Cajueiro Seco e Cabo é utilizado diariamente pelos VLT's. Ao longo do trecho, mesmo diante da expansão urbana e das muitas modificações consequentes que o entorno da linha sofreu ao longo dos anos, as características peculiares das áreas de mangues ainda se mostram presentes e podem ser vistas da janela do trem. Ainda "mergulham mocambos nos mangues molhados, moleques mulatos vem vê-lo passar"(...) Mangueiras, coqueiros, cajueiros em flor (...)", assim como descreveu Ascenso Ferreira em seu memorável poema "Trem de Alagoas", que utiliza da Linha Sul  como cenário e se eterniza no seu conhecido refrão: "Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar".
Diante da Estação do Cabo, eis o grande momento da festa:
Imagem: André Cardoso/ Projeto Memória Ferroviária de
Pernambuco
Parte do percurso da linha hoje acompanha o traçado da Linha Sul do Metrô. Entre as estações de Largo da Paz e Cajueiro Seco. O restante do traçado permanece solitário, cruzando rios, riachos, outros mangues. Os canaviais, também descritos no referido poema de Ascenso, já não tomam tanto conta da paisagem quanto antes.
Aos foliões, depois de muito forró dentro dos vagões, ao longo de cerca de 32 quilômetros (o mesmo percurso realizado em 30 minutos na primeira viagem de 1858 ), uma enorme festa os espera no largo da Estação Ferroviária do Cabo, toda enfeitada com temas juninos.

Outras imagens:


Pátio, plataforma, carros e a locomotiva, em Cinco Pontas, prestes a sair
com destino ao Cabo de Santo Agostinho. (Imagem: André Cardoso/ Projeto Memória
Ferroviária de Pernambuco

Os mangues ainda resistem na paisagem. (Imagem: André Cardoso/
Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco)
O Trem do Forró cortando uma das estações da Linha Sul do Metrô do Recife.
(Imagem: André Cardoso/ Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco)

"Encontro de gerações". Ao lado da locomotiva dos anos 1950, se aproxima
um trem elétrico dos anos 1980 na Linha Sul do Metrô do Recife. (Imagem:
André Cardoso/ Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco)


Agradecimentos: Anderson Pacheco (Serrambi Turismo)/ Ronaldo Carvalho (Maquinista CBTU/ Recife)



Referências

CÔRTES, Eduardo. Da Great Western ao Metrô do Recife. Recife: Persona, 2003.
PINTO, Estevão. História de Uma Estrada de Ferro do Nordeste. Rio de Janeiro: José Olympio, 1949.
PORTAL - Trem do Forró. Disponível em: <http://www.tremdoforro.com.br/> Acesso em 22 de Junho de 2016.
TREM de Alagoas. Disponível em: <http://www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=1735> Acesso em 22 de Junho de 2016




4 comentários:

  1. devia existir ainda as viagens de trens indo para os interiores queria muito viajar nesses trens antigos e creio que muitas pessoas queriam ver eles voltarem a funcionar

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  2. Parabéns.
    E quais os dias que o trem opera?
    Abraços e voto de bons ventos.

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  3. Se não me engano ouvi um boato sobre demolir casas que invadiram a linha aqui na minha cidade para reativação da linha centro

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  4. Sempre acreditei que o Trem é o único meio de transporte que pode contribuir para o alívio do trânsito nas estradas, pois oferece mais capacidade de carga e transporte de passageiros, maior conforto, segurança, e o preço das passagens bem mais acessíveis, haja vista a existência, além da classe executiva, a classe econômica. Vale ressaltar que o trem é um veículo muito menos poluente. As locomotivas poderão ser adaptadas para o uso de biodiesel, que é produzido a partir de matérias-primas vegetais, como soja, dendê ou mamona. O biodiesel leva a maior vantagem em comparação com o óleo diesel comum, altamente poluente. O biodiesel reduz em mais de 70% as emissões de gás carbônico, no entanto é preciso não confundir o biodiesel tem que ser produzido de fontes exclusivamente vegetais, o chamado B-100, de biodiesel 100% - com a mistura de diesel-biodiesel vendida nos postos de gasolina, que equivale a uma mistura de 2% de biodiesel com o diesel convencional. Portanto além de baratear o custo o biodiesel, que não é poluente, tem como característica principal a preservação do meio ambiente. Vamos gente, lutar pela volta dos trens, não posso fazer muito porque além de idoso, sérios problemas de saúde me afetam, mas estou de olhos voltados para o trabalho de vocês nessa jornada, oferecendo meu apoio moral e levando meu incentivo e encorajamento, pois na juventude já vivi a experiência do dia a dia da vida ferroviária, pois fui aprendiz e ajudante de telegrafista na estação de minha cidade Timbaúba, hoje ocupada com residência, que não sei se autorizada ou objeto de invasão. Mas vamos em frente o trabalho dessa ONG fez-me voltar no tempo e ter esperança de que um dia ainda verei cruzar pelos trilhos da linha Norte e de todas as regiões de nosso Estado os trens que tanta falta nos fazem. Um abraço a todos e muita coragem!
    Jeová Barboza - Timbaúba (PE)

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