sábado, 15 de setembro de 2012

Há 130 anos atrás

  A 15 de Setembro de 1882, a Great Western inaugurava mais um trecho de sua primeira ferrovia; tratava-se de um ramal partindo da Linha tronco para Limoeiro. Partindo de Carpina, o referido trecho passava pelas estações de Tracunhaém, Nazaré da Mata, Junco (em Nazaré da Mata), e Upatininga (em Aliança).
  Na época dessa inauguração, o trem fazia-se como principal transporte tanto de cargas quanto de passageiros entre o interior e a capital do estado. A economia açucareira era muito forte na região por onde passava a Estrada de Ferro do Limoeiro. O referido ramal, devido sua grande importância, veio a ser linha tronco quando da sua prolongação e ligação com a linha vinda da Paraíba em 1900.
  Nesses 130 anos, muita história ocorreu; as cidades contempladas com a ferrovia se desenvolveram, porém não souberam valorizar o patrimônio que foi de tanta importância para seu crescimento, a ferrovia. Após a desativação dos trens de passageiros, apenas trens de carga circulam raramente pelo trecho que futuramente integrará a Nova Transnordestina. As estações desativadas na década de 1980 não tiveram então a devida valorização dos moradores de suas localidades; começando por Tracunhaém, estação da qual hoje só o que resta é a velha plataforma, quase invisível no meio do matagal que a cerca.
Seu Edmílson, sobre restos de um vagão, não escondeu a saudade do trem.
(Foto: Arquivo pessoal - Agosto de  2010)

  Cerca de 5 km quilômetros a frente fica a estação de Nazaré da Mata, curiosamente a única que ficou de pé deste ramal inaugurado em 1882. Apesar disso, sua condição atual é precária; a cobertura da plataforma está corrompida e as portas do prédio lacradas. Há ainda uma espécie de armazém para grãos que ainda guarda um estrutura provavelmente para carregamento dos trens e uma garagem para autos de linha usada pela CFN (atual Transnordestina Logística). Quando visitamos a estação em 2010, encontramos seu Edmílson, vizinho da estação. Quando chegamos ele até pensou que fôssemos da Rede Ferroviária e explicamos a ele nosso trabalho. Durante nossa conversa ele nos mostrou uma carcaça de vagão em frente à sua casa e ao pátio da estação e falou-nos da época em que o trem de passageiros ainda passava pela velha estação: "A estação era muito movimentada, o trem que passava aqui era azulzinho e branco e muito grande, era o Trem Asa Branca. Havia um sino na estação e os trens de passageiros passavam todo dia, cargueiros vez em quando. Pense num transporte bonito e seguro que era".
  A estação seguinte, a cerca de 6 km de Nazaré era Junco. Segundo o site Estações Ferroviárias do Brasil (http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcp_pe/junco.htm), esta era uma parada que servia a um antigo engenho de mesmo nome. A estação já não existe mais, apenas construções do engenho próximas à linha.
  Upatininga, cerca de 4 km a frente, é a última estação do trecho. Fica no município de Aliança; infelizmente   da mesma só as ruínas permanecem no local.
  É a triste realidade de mais um trecho das nossas ferrovias. A história que completa 130 anos do ramal Carpina a Upatininga fica esquecida na Zona da Mata Pernambucana.
Engenho Junco, nas proximidades onde ficava a parada ferroviária de Junco. (Foto:   http://mestresantino.blogspot.com.br/)

De Tracunhaém só restou a plataforma cercada pelo mato. ( Foto: Rinaldo Dantas, 2008 - Do site Estações Ferroviárias do Brasil)

O que sobrou da estação de Upatininga em meio a um canavial. (Foto: Rinaldo Dantas, 2008 - Do site Estações Ferroviárias do Brasil)

A única que se salvou, até agora, a estação de Nazaré da Mata luta contra a ação do tempo. (Foto: Arquivo pessoal - Agosto de 2010).

A plataforma da estação de Nazaré que outrora era bastante movimentada. (Foto: Arquivo pessoal - agosto de 2010)

Estação de Nazaré: Portas lacradas e cobertura da plataforma corrompida . (Foto: Arquivo pessoal - Agosto de 2010).


Local para carregamento de vagões no pátio ferroviário de Nazaré da Mata. (Foto: Arquivo pessoal - Agosto de 2010).
Garagem de autos de linha em Nazaré da Mata, ainda utilizado pela atual concessionária de ferrovia. (Foto: Arquivo pessoal - Agosto de 2010).


6 comentários:

  1. André, parabéns cara excelente texto. Você está fazendo um belo trabalho mantendo viva a memória das ferrovias do estado. Brilhante trabalho cara!!

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    1. Valeu Ivson! Obrigado por acompanhar esse trabalho!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. essa ferrovia nazaré da mata ,boa parte tá um fiasco coberto pelo mato o ferrugem total !
    estações só ruinas

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  4. a população que mora perto da linha férrea ,deveria limpar os trilhos e capinar o mato só falar que tem saudade e não fazer nada .fala sério gente
    faça sua parte !

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