sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A estação e o túnel de Maraial

 No início de 2010, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco visitou algumas estações da antiga Linha Sul. Durante esta expedição visitamos também  a estação e o túnel existentes na cidade de Maraial, localizada a cerca de 133 km do Recife.
  A estação de Maraial foi inaugurada no ano de 1884 . Junto com a ferrovia, Maraial cresceu e tornou-se cidade, separando-se de Água Preta em 1928. 
  Esta estação funcionou até meados dos anos 1980. Hoje encontra-se abandonada e em condições razoáveis.
  Cerca de 1 km a frente (sentido Maceió), localiza-se o Túnel de Maraial que, a exemplo da estação,  foi feito pela "Recife ao São Francisco Railway Company" e inaugurado em 1884. Possui 107,70 metros de comprimento,  sendo o segundo aberto em Pernambuco. 
  Sua estrutura interna é bastante interessante. A parte superior possui uma espécie de ladrilho, enquanto as partes inferiores das laterais são mais grosseiras.
  Nesse trecho da linha as elevações são maiores, o que ocasionou a construção deste túnel e a alargação de valas entre os montes para permitir a passagem da ferrovia sem grandes e custosos desvios.
  Junto com a ferrovia, o túnel de Maraial deixou de ser utilizado por alguns anos. Em 2007, a ferrovia entrou em recuperação para integrar a Transnordestina e o túnel também foi limpo.
  A velha estação e o túnel de Maraial guardam uma boa parte da nossa história. Foi por ali que passou tantas vezes o trem com destino a Maceió e a Garanhuns, numa época saudosa em que o trem era o principal meio de transporte para muitos.
  (Segue um vídeo do Túnel de Maraial - http://www.youtube.com/watch?v=9oaMC9OaJXM)
  Veja abaixo algumas imagens da estação e do túnel.



A velha estação de Maraial. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

A estação, com quase 130 anos, resisti firme ao tempo. (Foto:  Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

Fachada da estação. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

O dístico da estação ainda traz a velha grafia do nome " Marayal". (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

A plataforma e o pátio da estação. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

O túnel de Maraial. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

Estrutura interna do túnel. (Foto: Arquivo pessoal- Janeiro de 2010). 

Os trilhos da antiga Linha Sul cruzam o túnel. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

O túnel de Maraial em contraste com a paisagem da Zona da Mata. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Desvalorização da antiga Linha Centro em Arcoverde

 No último Domingo, 30 de Outubro, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco em passagem por Arcoverde constatou mais um ato contra o patrimônio ferroviário de Pernambuco. Como se já não bastasse o asfalto ter coberto os trilhos em vários trechos, uma obra realizada pela prefeitura local numa das principais vias de acesso da cidade fez com que os antigos trilhos fossem em boa parte retorcidos e alguns foram até cortados. Estes trilhos foram colocados ali por volta do ano 1911, pela antiga Great Western e foram fundamentais para o desenvolvimento da cidade. 
  Enfim, é triste ver algo que em outro momento foi tão importante para a população, não só de Arcoverde, ser desprezado dessa forma. Claro que isso não ocorre só nesta cidade. Infelizmente, não há intervenção dos órgãos públicos contra isso e a história de nossas ferrovias vai sendo corrompida cada vez mais.
  Veja abaixo as fotos tiradas pelo MFPE.


Trilhos na entrada de Arcoverde. (Fotos: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Pode notar-se a terra sendo retirada debaixo da linha. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Trilhos retorcidos num dos principais acessos da cidade de Arcoverde. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Nesta foto os trilhos, juntamente com os dormentes, foram praticamente soltos. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Os trilhos distorcidos (Sentido Arcoverde-Recife). (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MFPE visita exposição da APEFE na estação Central

  No último dia 1º de Outubro, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco foi conferir na Estação Central o trabalho exposto pela Associação Pernambucana de Ferreomodelismo (APEFE). Lá havia uma bela réplica da maquete da Associação, bastante detalhada e com um certo realismo. Também haviam pequenas composições na escala HO, fotos antigas de locomotivas antigas de outros países e vários lugares do Brasil , inclusive Pernambuco. Haviam dois banners: um trazia para o público um pouco da história do ferreomodelismo, o outro um resumo da história ferroviária de Pernambuco, sendo este uma contribuição do MFPE à exposição da APEFE.  
  Quem quiser conferir de perto o trabalho da APEFE, basta ir até sua sede que fica localizada à Rua Ana Aurora, Areias, Recife-PE – dentro do antigo pátio de manutenções de Edgard Werneck, próxima a estação Werneck do metrô.
  Veja as fotos do evento.
Réplica da maquete da APEFE. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Miniaturas da APEFE. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Réplica artesanal da estação de Pesqueira. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Banners na exposição. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

(Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).



Parte da equipe da APEFE presente no evento. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Vestígio dos caminhos de ferro do Recife

  O Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco não podia deixar de lado os históricos bondes do Recife.
  Estes, que já foram o principal transporte urbano da cidade, circularam a partir do final do século XIX até o fim da década de 1950, substituídos pelos ônibus elétricos. Desses mais de 40 anos de história, ainda existem alguns vestígios pelas ruas da capital pernambucana. Além de muitos trilhos, existe, no bairro da Jaqueira, o que seria nossa última estação de bonde, a de Ponte D' Uchôa. A bela estação, foi construída em 1923, como consta em uma placa posta em uma de suas paredes.
  Vários anos se passaram e a estação continua firme e até bem preservada, guardando a memória dos trilhos urbanos do Recife.

A estação de Ponte D' Uchôa. (Fotos: Arquivo pessoal - 2009).



A placa que traz o ano da construção da estação. (Fotos: Arquivo pessoal - 2009).

Os velhos bancos ainda esperam pelos passageiros do bonde. (Fotos: Arquivo pessoal - 2009).

Uma reforma "a passos de tartaruga"

  A reforma da Estação Central do Recife é mais um exemplo do desinteresse dos governantes pelo patrimônio histórico do país. Há cerca de dois anos, esta bela construção que funcionava como porta de entrada para a estação Recife do Metrorec, encontra-se fechada ao acesso da população, isso por conta dos vagarosos trabalhos de reforma pelos quais está passando. Tal reforma visa a conservação do prédio para sediar o Centro Cultural do Banco do Brasil. Convém citar que também era lá onde funcionava o Museu do Trem que há anos está fechado, restando apenas as velhas máquinas expostas no saguão.
A estação Central (no detalhe), já em reformas. (Foto: Arquivo pessoal - Julho de 2010.

A estação antes do início das reformas. (Foto: Arquivo pessoal - 2010). 

  É um absurdo o modo como é tratada a história ferroviária de nosso estado. Com relação a Central do Recife, primeiro encontrava-se sem conservação e tratada de qualquer forma. Agora encontra-se em uma reforma "a passos de tartaruga".
  Nota-se que a estação já está com uma nova aparência, com sua pintura bastante nítida e retocada, janelas consertadas, etc. Porém, em alguns cantos já se pode perceber a pintura se destacando.
  Quando finalmente for entregue, o prédio já vai estar precisando ser reformado novamente.
  E assim segue a Estação Central, um cartão postal isolado por causa de uma lenta reforma.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

MFPE: Como tudo começou

  Eu (André Luiz) já me interessava desde pequeno pelos trens embora não tenha os alcançado em seu pleno funcionamento. Sempre gostei de ir à estação Central do Recife com meus pais para ver aquelas velhas locomotivas e ficava fascinado com tudo aquilo. Lembro quando na Integração de Jaboatão, no fim da década de 1990, vi o Trem do Forró enfeitado seguindo para Caruaru e esta foi uma das poucas vezes que pude ver um trem funcionando. Foi maravilhoso!
  Em 2006, tomei conhecimento de que em nosso estado ainda havia um trem antigo, o Trem do Cabo. Daí, pela primeira vez, pude andar de trem. Contudo, já havia muitas vezes utilizado o metrô.
  Os anos passaram e eu sempre mantive esse interesse pela ferrovia, principalmente, por sua história, até que em 2008, tomei conhecimento no site "Estações Ferroviárias do Brasil" de que Pernambuco tinha muitos quilômetros de ferrovia e estações, em resumo, muita história a ser conhecida. A partir daí, tive o desejo de conhecer essas muitas estações. 
  Eu e minha família decidimos começar pela estação de Moreno, por sua proximidade de Recife e pelo fácil acesso. Então, no dia 29 de Setembro de 2008 fizemos, na verdade, um ótimo passeio onde conhecemos a agradável cidade de Moreno e, o principal objetivo, a velha estação ferroviária. Esse foi o marco inicial do Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco que foi mais tarde idealizado por completo, cujo objetivo é promover a preservação da história da ferrovia no estado.

Foto da estação de Moreno no dia 29 de Setembro de 2008, marco inicial do Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco.

sábado, 10 de setembro de 2011

Episódio interessante em Palmares

  Retirada do livro " Antologia ferroviária do Nordeste" de Alcindo Souza, a breve história a seguir trata de um episódio curioso ocorrido em nossas ferrovias.
  " Este fato causou grande repercussão na cidade de Palmares em meados dos anos de 1940. Se lenda ou realidade, ainda não se chegou a uma conclusão, mas o povo acredita que o fato tenha mesmo ocorrido. Muito embora a composição do trem MS-2 já houvesse partido da estação de Palmares com destino a Recife, uma anciã, bem marcada pelo tempo, insistiu junto ao bilheteiro para que lhes vendesse uma passagem de 2ª classe para a capital pernambucana. A negativa do funcionário deveu-se à falta de outro trem naquele dia. A anciã, então, convicta que o trem MS-2 regressaria para apanhá-la, insistiu junto ao bilheteiro, até que a locomotiva da composição, não vencendo o aclive do quilômetro 119 ( a cerca de 6 quilômetros da estação), retornou a estação de Palmares. Desatrelada da composição, a locomotiva foi recolhida às oficinas para exame, não ficando constatado nenhum defeito. Tão logo, a velhinha subiu ao trem, a composição partiu sem mais contratempo. Ninguém até hoje soube explicar este fato tão curioso." 
A estação de Palmares. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).