quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Descaso em Jaboatão: É do Brasil!!!!

  Inaugurada em 1885, a estação ferroviária de Jaboatão tem grande valor histórico para o estado e para a história ferroviária do país.
  Por volta de 1912, a Great Western Brazil Railway centralizou sua sede e oficinas de reparos e manutenção ao lado da estação de Jaboatão. Esta, por sua vez, com esse acontecimento teve sua importância aumentada mais ainda.
  A mesma funcionou de 1885 até o início da década de 1990. Muitas empresas já passaram por lá: EFCP, GWBR, RFN, RFFSA e CBTU. Milhares de pessoas embarcaram e desembarcaram em suas plataformas, quer vindas do Sertão, Zona da Mata ou Agreste, da Capital ou partindo. Já presenciou capítulos da História política do Brasil, quando revoltosos roubaram da Coluna Prestes, em 1926, roubaram um trem só o abandonando em Gonçalves Ferreira (Caruaru), pela intervenção da polícia.
  Sua arquitetura é bela, formada pela junçãao de traços brasileiros, ingleses e franceses. Hoje, parte das oficinas deram lugar a estação do Metrô do Recife, construída por volta de 1985, mais ou menos 100 anos após a inauguração da antiga e saudosa estação de trem, que encontra-se totalmente abandonada, depedrada e arruinada. Sua cobertura já não existe mais, paredes pichadas, o mato tomou conta das plataformas  do pátio.
  É mais um capítulo da história ferroviária do estado no lixo. PARABÉNS BRASIL!  

 A estação em 1986, ainda em funcionamento. (Foto do site Estações Ferroviárias do Brasil)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Descaso com a estação Engenheiro Cornélio em Triunfo

  Construída pela RFN (Rede Ferroviária do Nordeste) em 1957, no distrito de Canaã em Triunfo, a estação de Engenheiro Cornélio segue o modelo das estações de Carnaíba e São Serafim.
  A estação encontra-se no meio do nada. De acordo com o site Estações ferroviárias do Brasil, por causa da mudança do traçado da estrada Tabira - Serra Talhada, a povoação de Canaã desenvolveu-se a vários metros da estação, deixando-a isolada.
  O conjunto dessa estação contava com: prédio principal, armazém, caixa da d'água, casa do agente e vila ferroviária de oito casas. Hoje tudo isso encontra-se abandonado e depedrado.
  O prédio principal está totalmente arruinado, resistindo ainda algumas paredes e a cobertura da plataforma. Do ármazém, só as bases ficaram para contar história. Das casas da vila ferroviária e a do agente também só rstam os alicerces. A caixa d'água é a única que ainda escapa.

Caixa d'água da estação

A estação de Engenheiro Cornélio


  É o destino de mais uma estação ferroviária no país. Então, parabéns Brasil por "preservar" sua história! 

O primeiro túnel ferroviário do Brasil

  O primeiro túnel ferroviário aberto em nosso país é pernambucano. Foi construído entre 1858 e 1859 e localiza-se a alguns quilômetros da estação do Cabo, na Linha Sul.
  Possui 150 m de comprimento e cerca de 4 m de largura. Sua estrutura encontra-se intacta, apresentando ainda suas características originais. (Fonte: Estevão Pinto - História de uma estrada de ferro do Nordeste - 1949).
  Em fins de 2009 o túnel foi limpo e revitalizado para ser utilizado pela nova ferrovia Transnordestina.
  Em 2010, nós do Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco fomos conhecer o túnel. Ao redor do mesmo, algumas poucas casas, um pequeno córrego e algumas nascentes e muitas árvores.
  Quando o atravessamos notamos , em seu interior, algumas cavidades para se alojar pessoas que estivessem o atravessando e viesse algum trem. Suas paredes são ladrilhadas e seu clima interno é um pouco frio.

O túnel do Pavão
  Realmente é uma beleza tal obra de arte no meio da vegetação típica da Zona da Mata. Vale a pena conhecer!
 

sábado, 15 de janeiro de 2011

As ferrovias pernambucanas hoje


Túnel de Maraial, na Zona da Mata Sul. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2009).
                                  
Pátio da estação ferroviária de Arcoverde. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2009).



  Em 1858, era inaugurada a primeira extensão ferroviária de Pernambuco, a segunda do Brasil. Esta ligava a localidade de Cinco Pontas, no Recife, até a Vila do Cabo (na época). De lá para cá muito ocorreu: crescimento da ferrovia, alavancando a economia do estado e proporcionando muitos benefícios à população, mas também decadência da mesma.
  Hoje, a história ferroviária de Pernambuco encontra-se, em sua maior parte, esquecida, abandonada. Mais de 600 quilômetros de trilhos de Recife até Salgueiro sucateados; muitos prédios de estações, armazéns, vilas ferroviárias arruinados, demolidos ou abandonados, e isto é apenas falando da Linha Centro (Recife-Salgueiro), sem contar com as linhas Norte e Sul (respectivamente para a Paraíba e Alagoas) que encontram-se parcialmente operadas pelo serviço do transporte de cargas, em condições semelhantes de abandono.
   Ramais como o de Ribeirão a Barreiros e de Paquevira a Garanhuns, que já serviram como melhor opção de transporte para muitos povoados e cidades, encontram-se sem seus trilhos e abandonados.
  As obras da nova ferrovia Transnordestina, que visa a integração ferroviária entre os estados nordestinos e com outras regiões do país, encontram-se meio avançadas porém, seu trajeto visa o transporte de cargas, passando longe dos centros urbanos e a partir disso fica a pergunta: São estas verdadeiras políticas ferroviárias? Não, pois ao contrário de como se faz no Brasil, a ferrovia deve trabalhar lado a lado com a rodovia e não ser deixada como uma opção qualquer.
  Enfim, a história ferroviária de Pernambuco não está sendo realmente preservada. Algumas prefeituras e populações realmente preocupam-se com a preservação desta história, como é o caso de Palmares, Bezerros, Sanharó, Mimoso (Pesqueira-PE) e outras que se preocuparam em ao menos preservar suas estações. Se todos seguissem esse exemplo e fizessem um pouco por isso, hoje a situação seria bem diferente. Enquanto isso não acontece, está a ser enterrada uma parte importante da história dos transportes no estado e no país.

Antiga estação ferroviária de Jaboatão: Um panorama do descaso cometido com a história da ferrovia em Pernambuco.