quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Estação Ferroviária de Aripibú: Uma história de preservação



   Localizado na Zona da Mata Sul às margens do rio Aripibú, no município de Ribeirão-PE, o povoado de Aripibú tem suas origens em meados do século XIX. No ano de 1862, mais precisamente a 13 de Maio, a Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco inaugurava uma estação ferroviária no local. A ligação por via férrea com a capital e os bons solos foram alguns dos fatores que decorreram na fundação de uma usina de álcool e açúcar no povoado no ano de 1888, a Usina Aripibú. Esta, por sua vez, chegou a possuir uma ferrovia particular de 60 km, cinco locomotivas e 125 vagões com capacidade para três toneladas, cada, além de uma ampla vila operária.
  O tráfego na estação ferroviária de Aripibú, era relativamente forte, pois na mesma eram embarcados e desembarcados passageiros e produtos da Usina.
  A estação foi parcialmente desativada na década de 1970, quando seu último chefe, Deolindo Sobral, passou a ser fiscal de trens. A estação ainda servia como parada dos trens que vinham de Frexeiras a Ribeirão e sentido contrário, porém sem a venda de bilhetes. Alguns anos mais tarde, seu Deolindo faleceu, deixando a morar na estação sua esposa, dona Gercina, e sete filhos. A RFFSA, no entanto quis demolir a estação já que seu funcionário não morava mais lá. Dona Gercina então foi junto aos chefes da Rede intervir para que isto não ocorresse. Segundo ela, os mesmos consultaram-na em seguida com relação a quais partes da antiga estação ela utilizava; ela respondeu que apenas o prédio principal, daí foi demolido apenas o armazém  de cargas, restando o prédio de embarque e desembarque de passageiros.
  Hoje, a pequena estação de Aripibú pode ser considerada uma raridade, uma vez que muitas outras estações pelo estado não tiveram a mesma sorte e vieram abaixo. Isso deve então explicar o que ocorreu com outras estações tais como Russinha, Ipanema e outras de menor porte: foram parcialmente desativadas e demolidas pela RFFSA, talvez simplesmente por não estarem em uso, ou até para não se cogitar reativações. De qualquer forma, é um verdadeiro crime demolir prédios com tanta história como esses.
  O Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco visitou o povoado de Aripibú para registrar a pequena estação ferroviária e lá fomos muito bem recebidos por Ane Sobral e sua mãe, dona Gercina que nos ofertou um relato de ouro de sua vida como esposa do chefe da estação. Ela contou que antes de se casar com seu Deolindo, vinha vê-lo de trem já que ele morava na estação e ela no centro de Ribeirão. Posteriormente ele se casaram e tiveram sete filhos, todos criados à beira da via férrea. Graças a ela tivemos a oportunidade de alcançar ainda de pé a velha estação. Também falou do movimento de trens que era intenso décadas atrás, tanto de passageiros como de cargas, citando um tipo de locomotiva que cruzava o local apelidada pelos habitantes da região de "Três rolos"; possivelmente esse apelido se referia às enormes locomotivas Garrat (o último exemplar desta locomotiva encontra-se no Museu do Trem, localizado na antiga Estação Central do Recife).
  Hoje só raros autos de linha da Transnordestina Logística cruzam o local; há muito tempo não se vêem os trens de carga. Há boatos de um projeto de reativação de um trem de passageiros entre a estação do Cabo, na Região Metropolitana do Recife, e a estação de Ribeirão, o que traria de volta o movimento de passageiros à plataforma da estação de Aripibú. Durante nossa visita, conversamos com outras pessoas no povoado sobre isso e todos se mostraram a favor, alegando que é uma melhor opção de transporte para os muitos que se deslocam de Ribeirão para o Cabo para trabalhar e que daria uma animada no povoado, sendo enfim algo muito bom para eles.
 
  EPISÓDIO INTERESSANTE OCORRIDO ENTRE RIBEIRÃO E ARIPIBÚ

Dona Sebastiana, 84 anos.
  Dona Sebastiana Maria Cardoso (avó do autor), 84 anos, conta que por volta da década de 1940 morava com sua irmã no município de Barra de Guabiraba e estava se mudando para Aripibú, pois seu cunhado José Paulino iria trabalhar cortando cana para a Usina deste local. Então partiram, ela, sua irmã Anunciada grávida e as filhas desta - Maria e Amara e José Paulino. Apanharam o trem na estação ferroviária de Cortês, a mais próxima da sua antiga casa, e seguiram viagem.
  Ao parar na estação de Ribeirão, José Paulino desceu do trem para comprar um café para a sua esposa, Anunciada. Enquanto o mesmo estava a pegar seu troco, o trem soltou o apito da partida. José, desesperado correu para a plataforma a fim de alcançar o trem, mas não teve jeito.
  Quando dona Sebastiana, sua irmã e as filhas desta desceram em Aripibú, sentaram nos bancos da estação  e ficaram aguardando José Paulino que havia ficado para trás. Um tempo após o desembarque, o trem já havia seguido viagem para Recife, e eis que alguém aponta no fim da reta... era José Paulino, correndo aflito que estava chegando, chorando, achando que havia perdido sua família. Em pouco tempo ele fez os 8 km que separam as estações de Aripibú e Ribeirão.
  Após o reencontro bastante inusitado todos seguiram para sua nova casa.

Abaixo, fotos da estação ferroviária de Aripibú.

Galpões da velha Usina Aripibú. (Foto Arquivo pessoal, Janeiro de 2013).

A Usina Aripibú e a capelinha da mesma . (Foto: Arquivo pessoal, Janeiro de 2013).

O rio Aripibú. (Foto: Arquivo pessoal, Janeiro de 2013).

A plataforma da estação ferroviária de Aripibú. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2013).

Estação ferroviária de Aripibú, inaugurada a 13 de Maio de 1862. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2013).

Ainda pode-se notar o velho dístico da estação numa de suas paredes. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2013).

Os trilhos da Linha Sul de Pernambuco e a velha estação de Aripibú. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2013).

A parte de trás da estação. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2013).

Perfil da vila operária da Usina Aripibú. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2013).



 
 
 
 
  

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Palmares e o trem: Uma história de 150 anos

   A 30 de Novembro do ano de 1862, há 150 anos atrás, estava inaugurada a estação de Una (atual Palmares), no povoado de mesmo nome, localizado na confluência dos rios Una e Pirangi. É esta a estação final da chamada "terceira secção" da Estrada de Ferro Recife ao São Francisco.
  Distante 124,7 km do Recife por via férrea, a vila de Una tinha como sua base econômica um pequeno engenho açucareiro. Quando da chegada do trem e a consequente implantação de uma estação ferroviária no local, a vila cresceu bastante tornando-se  município e separando-se de Água Preta, em 1873, já com a atual denominação, Palmares.

  "Una (hoje Palmares) era, nos meados do século XIX, uma simples povoação, que vivia da dependência do engenho Trombeta. Em torno da estação ferroviária, montada à margem do rio Una, cresceu a povoação, a ponto de tornar-se maior do que a sede do próprio município e comarca - Água Preta. Como observa Mário Lacerda de Melo, Água Preta continua pachorrenta e, perto dela, "Palmares é quase uma capital". (Estevão Pinto, 1949. História de Uma Estrada de Ferro do Nordeste)
  
  Durante 20 anos a estação ferroviária de Palmares foi ponta de linha da Estrada de Ferro Recife ao São Francisco, fator que foi de suma importância para a referida evolução da pequena vila que acarretou na sua emancipação política. Somente em 1882 foi inaugurada a estação de Catende e em 1894, foram construídas as estações intermediárias de Pirangi e Boa Sorte, para atender principalmente a usinas açucareiras. 
  Desde 1862 quando foi inaugurada, a referida estação sempre teve bastante importância. Lá foram construídas vila ferroviária e grandes armazéns de carga. Houveram também oficinas da rede para a manutenção de vagões, carros de passageiros e locomotivas. Na década de 1940, foi instalada em Palmares, pela Great Western, uma escola técnica com capacidade para 100 alunos. Foi esta a escola Assis Ribeiro. 
  A estação atendeu por muitos anos os trens de passageiros e cargueiros que seguiam para Maceió ou Recife. Hoje, decorridos 150 anos de sua inauguração, está desativada funcionando como a Casa da Cultura Hermillo Borba Filho, mantendo preservadas suas características originais e abrigando ainda em suas dependências o museu da cidade. Os velhos armazéns estão abandonados e o tráfego de trens cargueiros por parte da concessionária atual da linha é muito fraco, mesmo sendo Palmares um ponto de apoio da mesma na manutenção da via. 
  Nos dias atuais, a solitária e preservada plataforma de embarque da estação de Palmares que serviu de porta para o progresso local, outrora movimentada por ambulantes, ferroviários e passageiros, guarda a lembrança de um século e meio de história. 


A estação de Palmares em dia festivo: crianças aguardam o trem na plataforma. ( Imagem: Do site -  http://www.lugaresesquecidos.com.br)
Vista da plataforma da estação de Palmares, inaugurada em 1862. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

Os velhos armazéns não tiveram a mesma sorte que o prédio principal e ficaram abandonados.  (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

A fachada da velha estação que hoje abriga uma casa da cultura e o museu da cidade. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).


A plataforma de embarque e sua cobertura. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

A estação vista de cima de uma antiga estrutura da RFFSA.  (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).


A estação no ano de 2012 em novas cores. (Foto: Sergio Falcetti - 2012).







terça-feira, 23 de outubro de 2012

Estações ferroviárias fantasma em Pernambuco

  Prédios que outrora foram de grande importância para o progresso de nosso estado, serviram como ponto de embarque e desembarque de passageiros e cargas. De edificações mais robustas a simples paradas com prédios bem singulares ou pequenas coberturas; dessa forma foram construídas nossas estações ferroviárias, cada uma com suas particularidades, elaboradas de acordo com o tráfego cujo fossem responsáveis por atender, seja em pequenos povoados como Mimoso e Ipanema em Pesqueira, em cidades de tamanhos variados como Salgueiro, Catende, Timbaúba, ou em cidades de maior densidade demográfica como Recife, Jaboatão, Cabo. Uma coisa é certa, todos esses pontos de parada tiveram sua importância, porém hoje nem todos são valorizados como deveriam.
  Pernambuco já chegou a ter mais de 130 pontos ferroviários contando com postos telegráficos, paradas e as estações com prédio (houveram pontos de embarque apenas com uma simples cobertura, sem edificações mais complexas). De todas essas construções muitas se transformaram em verdadeiras construções fantasma.
  Veja a seguir algumas dessas "estações fantasma":

1 - Estação Felipe Camarão (Linha Centro - km 522)

A estação de Felipe Camarão, com destaque para a cobertura da plataforma. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).

De uma das extremidades da plataforma de Felipe Camarão podemos ver o prédio da estação e a grande vala das obras da Transnordestina. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).
  A estação de Felipe Camarão, construída e inaugurada entre o fim da década de 50 e o início da década de 60 do século passado. Desativada há mais de 15 anos, hoje sem seus trilhos, sem portas e janelas, com praticamente todo o teto já saqueado, é uma estação fantasma à beira do leito da Ferrovia Transnordestina, a qual passa onde ficavam a vila ferroviária de a casa do chefe da velha estação.

2 - Estação São Serafim (Linha Centro - km 479)
Estação Ferroviária de São Serafim, no município de Calumbi em pleno Sertão do Pajeú  (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).

Vista da plataforma da estação de São Serafim. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).

As ruínas da velha estação ao fundo. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).
  Mais uma estação fantasma registrada pelo Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco foi São Serafim, no município sertanejo de Calumbi. Fica localizada a cerca de 1 km da centro comercial da cidade, mas a sensação é de se estar a vários quilômetros da urbanização. Com exceção de umas poucas casas, algumas abandonadas e de alguns caprinos, o local é realmente muito esquisito. As casas da vila ferroviária e casa do chefe da estação foram demolidas, o local onde ficavam forma um longo pasto onde ainda existem algumas ruínas de tais construções. Os trilhos ainda existem, da mesma forma reservatórios subterrâneos para armazenar água que compunham o conjunto ferroviário. O edificação principal da estação não tem mais portas e janelas nem seu teto. Partes das paredes já vieram a baixo, porém a maior parte continua de pé resistindo a ação do tempo.

3 - Estação Iguaraci (Linha Centro -  km 381)

O centenário Luiz Gonzaga, pintado numa das extremidades laterais da estação de Iguaraci. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

Trilhos e plataforma da estação de Iguaraci. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).


  A pintura do rosto de Luiz Gonzaga numa das laterais da estação de Iguaraci é apenas ilusória da real situação da estação. A mesma perdeu já praticamente todo seu telhado e suas portas e janelas, pelo que se observa tudo indica que foi por meio de furtos. A estação não fica tão distante da cidade, porém suas proximidades são um pouco desertas; tal condição e a situação de conservação do prédio caracterizam mais uma estação fantasma no Sertão do Pajeú.
  É realmente lamentável tais prédios estarem nessa condição de abandono, porém há muitos outros além dos citados acima nesta situação, o que é realmente triste pelo fato de essas edificações guardarem parte importante da nossa história e pelo muito que serviram aos pernambucanos em geral.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Túneis e viadutos: A ferrovia na Serra das Russas

  Você já imaginou andar de trem por entre vales, passando por túneis longos e escuros, compridos e altos viadutos, contemplando belas paisagens naturais em que a natureza se contrasta com os trilhos. Pois é, acredite você que não conhece muito da história das ferrovias em Pernambuco: nós temos uma ferrovia com todas essas características e muito mais; o caminho de ferro em questão é o trecho compreendido entre Pombos e Gravatá da antiga Estrada de Ferro Central de Pernambuco, posteriormente Linha Centro que ligava Recife a Salgueiro.
Um dos viadutos da Serra das Russas. (Imagem: Do blog " Jones em Trilhas" - http://jonesetrilhas.blogspot.com.br/2011/07/trilha-de-aventura-pelos-trilhos-e_9473.html)
  O referido trecho, com aproximados 25 km foi construído no fim do século XIX entre 1886 e 1894. A demora na execução da obra foi em face do grande obstáculo que ao chegar em Pombos a ferrovia teria de vencer para chegar a Gravatá: a Serra das Russas. Foram então necessários 8 anos para que se construíssem 21 túneis e 9 viadutos, estes em estrutura de ferro. Mais na frente alguns desses túneis deixaram de existir por comodidade técnica restando 14. Os viadutos, em face do desgaste, foram todos substituídos por estruturas de concreto entre os anos de 1945 e 1947, pela Great Western. Milhares de pessoas viajaram pelos túneis e viadutos da Serra das Russas com direção ao Agreste e ao Sertão, ou retornando para a Zona da Mata e a capital. 
Um dos 14 túneis da Serra das Russas. (Imagem: Do blog "Jones em trilhas" )
  O tempo passou e as ferrovias foram sendo deixadas de lado. Com a linha Recife - Salgueiro não foi diferente, logo os trens deixaram de passar pelo trecho da Serra. Em 2001, o Trem do Forró, último a utilizar a linha, mudou seu itinerário de Caruaru para o Cabo, com isso a linha para Salgueiro ficou totalmente abandonada desde então. O trecho em que os trilhos cortam a Serra permaneceu intacto, exceto alguns desabamentos de encostas sobre o leito da ferrovia em alguns trechos e o mato que cresceu muito em certas áreas.
  As referidas paisagens da Serra que poderiam estar sendo aproveitadas por um trem turístico que, sem dúvida, seria um dos melhores passeios desse tipo do Brasil, hoje são desbravadas por aventureiros, pesquisadores feroviários a exemplo do pessoal da APEFE (Associação Pernambucana de Ferreomodelismo e Preservação Ferroviária) que já fizeram inúmeras expedições para o trecho, praticantes de esportes radicais como o rapel (praticado nos viadutos, sendo o viaduto 4 o preferido por causa da maior altura com relação aos demais), ciclistas, apreciadores de uma boa caminhada, etc.
  Há o projeto de um trem regional interligando Recife a Caruaru aproveitando a velha Linha Centro, consequentemente os túneis e viadutos entre Pombos e Gravatá seriam utilizados novamente, o problema como sempre é sair do papel. É óbvio que se fosse colocado um trem para circular para o turismo apenas nesse trecho haveria um interesse por parte das outras cidades que ficam próximas e que são cortadas pela linha em ter seu turismo impulsionado pela reativação da linha dentro de seus limites. Caruaru, é um bom exemplo disso. Sendo a linha utilizada entre Pombos e Gravatá, a cidade de Bezerros iria querer entrar também nessa integração, logo em seguida Caruaru, Vitória, daí poderia o Trem do Forró retomar suas viagens para seu destino mais característico, não desvalorizando é claro o trecho Recife – Cabo, mas convenhamos, Caruaru é a capital do forró. É claro que são apenas hipóteses; a política rodoviarista de nosso país impede o mesmo de se desenvolver e preservar suas ferrovias. A consequência disso é o abandono absurdo de belos trechos de ferrovia como esse da Serra das Russas pelo qual muitos não tiveram a oportunidade de viajar e muitos dos que tiveram esse privilégio guardam apenas a lembrança nas fotos, na memória de vivência e nos velhos túneis e viadutos que um dia serviram para dar passagem ao progresso em nosso estado, da capital para o interior.

Viaduto 4, mais conhecido como Ponte Cascavel, é o mais alto e longo viaduto ferroviário da Serra das Russas. (Imagem: Papel de parede do Baixaki - Acervo: Vagner Santos). 
                                             




Sobre um dos viadutos da Serra das Russas. (Imagem: Do blog "Jones em trilhas")
                                     

Pessoal da Assoc. Pernambucana de Ferreomodelismo e Preservação  Ferroviária em uma de suas caminhadas pela Linha Centro na Serra das Russas, em frente a um dos 14 túneis. (Imagem: Do site "Amantes da Ferrovia" - Acervo: Rinaldo Henrique)

Plataforma da já demolida estação de Russinha, localizada apenas a  menos de 500 m após o 1º túnel sentido Pombos - Gravatá.  



sábado, 15 de setembro de 2012

Há 130 anos atrás

  A 15 de Setembro de 1882, a Great Western inaugurava mais um trecho de sua primeira ferrovia; tratava-se de um ramal partindo da Linha tronco para Limoeiro. Partindo de Carpina, o referido trecho passava pelas estações de Tracunhaém, Nazaré da Mata, Junco (em Nazaré da Mata), e Upatininga (em Aliança).
  Na época dessa inauguração, o trem fazia-se como principal transporte tanto de cargas quanto de passageiros entre o interior e a capital do estado. A economia açucareira era muito forte na região por onde passava a Estrada de Ferro do Limoeiro. O referido ramal, devido sua grande importância, veio a ser linha tronco quando da sua prolongação e ligação com a linha vinda da Paraíba em 1900.
  Nesses 130 anos, muita história ocorreu; as cidades contempladas com a ferrovia se desenvolveram, porém não souberam valorizar o patrimônio que foi de tanta importância para seu crescimento, a ferrovia. Após a desativação dos trens de passageiros, apenas trens de carga circulam raramente pelo trecho que futuramente integrará a Nova Transnordestina. As estações desativadas na década de 1980 não tiveram então a devida valorização dos moradores de suas localidades; começando por Tracunhaém, estação da qual hoje só o que resta é a velha plataforma, quase invisível no meio do matagal que a cerca.
Seu Edmílson, sobre restos de um vagão, não escondeu a saudade do trem.
(Foto: Arquivo pessoal - Agosto de  2010)

  Cerca de 5 km quilômetros a frente fica a estação de Nazaré da Mata, curiosamente a única que ficou de pé deste ramal inaugurado em 1882. Apesar disso, sua condição atual é precária; a cobertura da plataforma está corrompida e as portas do prédio lacradas. Há ainda uma espécie de armazém para grãos que ainda guarda um estrutura provavelmente para carregamento dos trens e uma garagem para autos de linha usada pela CFN (atual Transnordestina Logística). Quando visitamos a estação em 2010, encontramos seu Edmílson, vizinho da estação. Quando chegamos ele até pensou que fôssemos da Rede Ferroviária e explicamos a ele nosso trabalho. Durante nossa conversa ele nos mostrou uma carcaça de vagão em frente à sua casa e ao pátio da estação e falou-nos da época em que o trem de passageiros ainda passava pela velha estação: "A estação era muito movimentada, o trem que passava aqui era azulzinho e branco e muito grande, era o Trem Asa Branca. Havia um sino na estação e os trens de passageiros passavam todo dia, cargueiros vez em quando. Pense num transporte bonito e seguro que era".
  A estação seguinte, a cerca de 6 km de Nazaré era Junco. Segundo o site Estações Ferroviárias do Brasil (http://www.estacoesferroviarias.com.br/efcp_pe/junco.htm), esta era uma parada que servia a um antigo engenho de mesmo nome. A estação já não existe mais, apenas construções do engenho próximas à linha.
  Upatininga, cerca de 4 km a frente, é a última estação do trecho. Fica no município de Aliança; infelizmente   da mesma só as ruínas permanecem no local.
  É a triste realidade de mais um trecho das nossas ferrovias. A história que completa 130 anos do ramal Carpina a Upatininga fica esquecida na Zona da Mata Pernambucana.
Engenho Junco, nas proximidades onde ficava a parada ferroviária de Junco. (Foto:   http://mestresantino.blogspot.com.br/)

De Tracunhaém só restou a plataforma cercada pelo mato. ( Foto: Rinaldo Dantas, 2008 - Do site Estações Ferroviárias do Brasil)

O que sobrou da estação de Upatininga em meio a um canavial. (Foto: Rinaldo Dantas, 2008 - Do site Estações Ferroviárias do Brasil)

A única que se salvou, até agora, a estação de Nazaré da Mata luta contra a ação do tempo. (Foto: Arquivo pessoal - Agosto de 2010).

A plataforma da estação de Nazaré que outrora era bastante movimentada. (Foto: Arquivo pessoal - agosto de 2010)

Estação de Nazaré: Portas lacradas e cobertura da plataforma corrompida . (Foto: Arquivo pessoal - Agosto de 2010).


Local para carregamento de vagões no pátio ferroviário de Nazaré da Mata. (Foto: Arquivo pessoal - Agosto de 2010).
Garagem de autos de linha em Nazaré da Mata, ainda utilizado pela atual concessionária de ferrovia. (Foto: Arquivo pessoal - Agosto de 2010).


sábado, 4 de agosto de 2012

Estação Ferroviária de Carpina


  Construída pela Great Western e inaugurada em 1881, Carpina era uma das principais estações da Linha Recife a Limoeiro. Foi por muitos anos a estação da bifurcação da linha vinda do Recife (Estação do Brum) que se dividia em um ramal para Nazaré da Mata (posteriormente prolongado até a Paraíba) e a continuação da linha para Limoeiro (mais tarde prolongada definitivamente para Bom Jardim).
  Antes de sua emancipação política, o território carpinense abrangia dois distritos: o de Floresta dos Leões, pertencente ao município de Paudalho, e o Chã de Carpina, integrante do de Nazaré da Mata, separados pelos trilhos da antiga Great Western no centro da zona urbana. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpina)
  A estação se chamou Floresta dos Leões da sua inauguração até 1938 quando o já município (desde 1928) de mesmo nome passou a se chamar Carpina.
  A chegada da linha férrea foi de grande contribuição para o comércio da localidade. A estação contava com um amplo pátio composto por três desvios, duas plataformas para embarque de passageiros, caixa d’água, armazéns, girador de locomotivas e o prédio principal.
Segundo notícias do Diário de Pernambuco, publicadas no site Estações Ferroviárias do Brasil, em Março de 1980 ainda haviam trens de passageiros para Carpina: o US-21, 23 e 25 de ida e US-22, 24 e 26 de volta, sendo três trens todos os dias nessa época, porém ainda no final de 1980 os trens deixaram de ir até Carpina, chegando apenas até São Lourenço da Mata.
  A linha que cruza Carpina segue para a Paraíba (antigo ramal de Nazaré da Mata prolongado no fim do século XIX) e pertence a Transnordestina Logística (antiga CFN), desde 1997. O ramal para Bom jardim já não tem mais seus trilhos, desativado pela RFFSA na década de 1960. Nos últimos tempos, segundos moradores, raros são os trens cargueiros a passar pela linha. Autos de linha também não são muito frequentes na via que em certos trechos o mato começa a cercar os trilhos. A velha estação meio descaracterizada segue razoavelmente preservada junto com a velha caixa d’água e a plataforma de embarque para o antigo ramal de Bom Jardim.
  Confira a seguir algumas imagens da estação.

A estação de Carpina. (Foto: Arquivo pessoal - Julho de 2010).
Plataforma principal da estação e caixa d'água ao fundo. (Foto: Arquivo pessoal - Julho de 2010).

A plataforma secundária da estação, possivelmente servia a saída para o ramal de Bom Jardim. (Foto: Arquivo pessoal - Julho de 2010).
As duas plataformas. (Foto: Arquivo pessoal - Julho de 2010).

A velha caixa d'água da estação, trazida da Inglaterra. (Foto: Arquivo pessoal - Julho de 2010).
Vagões da Transnordestina Logística parados no pátio da estação. (Foto: Arquivo pessoal - Junho de 2010).

O velho prédio da estação, com mais de 130 anos. (Foto: Arquivo pessoal - Junho de 2010).

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Gonzagão, o trem da Serra e Arcoverde

  Em homenagem aos 100 anos de Luiz Gonzaga e da inauguração da estação ferroviária de Arcoverde (linha Central de Pernambuco), o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco traz um vídeo editado com arquivos de diversas fontes além do próprio arquivo do projeto, que com saudosismo retrata um pouco das recordáveis viagens de trem que podiam ser feitas pelo nosso estado. O trem da Serra, relatado na música "Arcoverde Meu" de Luiz Gonzaga traz a beleza de uma viagem por ferrovia até a cidade de Arcoverde. Esta música e a referida viagem foram usados como temática desse vídeo. Será que um dia essa bela viagem poderá ocorrer novamente?
 Confira o vídeo abaixo.


  
                 
Estação Centenária de Arcoverde. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2009).


O centenário Luiz Gonzaga. (Imagem: Blog "Eddy Lima e Banda Raízes do Nordeste")