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| Estação de Encruzilhada (Imagem: Do site "Estações Ferroviárias do Brasil") |
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Uma evidência da regressão
Em 20 de Outubro de 2014 completaram-se 133 anos da inauguração do primeiro trecho da Estrada de Ferro do Recife ao Limoeiro, o embrião da Linha Norte de Pernambuco. Este primeiro trecho partia da estação do Brum, próxima ao forte de mesmo nome, no bairro do Recife, onde hoje funciona o Memorial da Justiça, e seguia atravessando o rio Capibaribe por uma ponte ferroviária anterior a atual Ponte do Limoeiro (daí vem o nome da atual ponte, da E. F. Recife ao Limoeiro), alcançando a atual Avenida Norte, com estações em Encruzilhada, no largo, e Arraial. Continuando, a linha atravessava o bairro da Macaxeira, seguindo beirando a Mata de Dois Irmãos, pela atual Estrada dos Macacos, que nada mais é que o próprio leito da antiga via férrea, conservando ainda os pontilhões e a estação que deu nome a estrada, a estação Macacos. Seguindo pelo bairro da Vila da Fábrica em Camaragibe, a ferrovia acompanhava em paralelo a atual Dr. Belmino Correia, seguindo de encontro ao trecho até hoje existente a partir da estação de Camaragibe, daí a São Lourenço, Paudalho, etc.
Mas, por que regressão? Perdemos uma ferrovia que hoje poderia estar desafogando a Zona Norte da cidade. Hoje Recife vive um caos urbano, vias lotadas de carros, motocicletas e ônibus, um caos gerado pelo constante crescimento populacional vivenciado na cidade e a falta de um planejamento de mobilidade urbana sério. Mas, sério em que sentido? Que valorize o transporte sobre trilhos como solução para boa parte desses problemas. Essa é a regressão, o fato de já ter havido uma linha de trem cortando um dos principais corredores da Zona Norte do Recife, a Avenida Norte. Seria esse o momento de corrigir o erro da desativação e trazer o transporte sobre trilhos de volta, não só na Região Metropolitana do Recife, mas também com a reativação das linhas para o interior do estado.
domingo, 21 de setembro de 2014
6 anos do MFPE - O túnel e o auto
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| O Túnel do Pavão. (Imagem: Acervo MFPE - 2010) |
A referida história ocorreu no Túnel do Pavão, no Cabo, o primeiro Túnel ferroviário do Brasil. No dia que fui conhecê-lo, no início do ano de 2010, foi algo muito especial, estar diante daquele imponente monumento, ainda do Brasil Imperial, encravado numa verde serra da área rural do município do Cabo de Santo Agostinho, já perto de Ipojuca. Pela via férrea, fica 4,5 km após a estação mais antiga em funcionamento do país (Cabo).
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| Vista interna do túnel. (Imagem: Acervo - MFPE) |
A essa época, a Transnordestina Logística, estava a recuperar a Linha Sul para reativá-la ao transporte de cargas. Os trabalhos já estavam bem avançados e vez em quando circulavam trens carregados de trilhos, dormentes, etc, além dos autos de linha que são veículos de inspeção ferroviária.
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| Vista de uma das saídas do túnel, e ao fim, a curva de onde surgiu o auto de linha. (Imagem: Acervo MFPE - 2010) |
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| O autor e o auto na estação Palmares, dias antes do ocorrido no túnel. (Imagem: Acervo MFPE- 2010) |
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
De trem, Recife - Maceió
Você já teve a oportunidade de fazer a viagem Recife - Maceió pela Linha Sul de Pernambuco? Ou mesmo uma viagem até alguma cidade da Mata Sul de trem? Bem, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco, com a trilha sonora de Zé Ripe, "Trem azul", tentou recriar em vídeo um pouco dessa viagem, utilizando fotos antigas e fotos recentes, além de alguns vídeos, das estações e outros pontos do trecho Recife - Paquevira, pouco antes da divisa entre Pernambuco e Alagoas. Vale a pena conferir e, para quem já teve a oportunidade de utilizar o trem azul, recordar, para quem não teve, pelo menos pode ter uma pequena ideia de como era essa viagem fascinante, cheia dos mais variados e belos cenários proporcionados pelas matas, túneis, pontes, riachos, canaviais, etc; elementos característicos da Zona da Mata.
sábado, 10 de maio de 2014
Trem para João Pessoa
Nesta última Quarta-feira (07.05.2014), partiu do pátio de Lacerda, no bairro do Curado no Recife, a composição da CBTU Recife com destino a João Pessoa. A mesma irá operá no sistema de trens urbanos paraibano em substituição a uma outra composição que realizará o trem do forró de Campina Grande. A previsão é que a composição recifense, formada pela locomotiva ALCO RS 8 número 6009 com 5 carros de passageiros retorne no mês de Julho.
Na passagem desta composição nas proximidades da Arena Pernambuco e da Estação ferroviária de Camaragibe, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco fez um memorável registro em vídeo que você pode conferir logo abaixo.
A passagem do trem despertou a curiosidade de muitas pessoas ao longo da Linha Norte de Pernambuco e mostrou um pouco da esperança de reativação do transporte de passageiros nas nossas linhas.
Confira abaixo o registro saudoso e emocionante da passagem do referido trem.
Na passagem desta composição nas proximidades da Arena Pernambuco e da Estação ferroviária de Camaragibe, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco fez um memorável registro em vídeo que você pode conferir logo abaixo.
A passagem do trem despertou a curiosidade de muitas pessoas ao longo da Linha Norte de Pernambuco e mostrou um pouco da esperança de reativação do transporte de passageiros nas nossas linhas.
Confira abaixo o registro saudoso e emocionante da passagem do referido trem.
terça-feira, 25 de março de 2014
Linha Centro 129 anos: Passado e presente
Há exatos 129 dava-se por inaugurado o primeiro trecho da
Estrada de Ferro Central de Pernambuco, a primitiva Estrada de Ferro Recife –
Caruaru. No dia 25 de Março de 1885, o trecho de 17 km entre as estações
Central do Recife e Jaboatão era oficialmente aberto ao tráfego. Intermediando
o referido trecho havia apenas a estação de Tejipió.
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| Há 129, da estação Central, partia a primeira composição da Estradade Ferro Recife a Caruaru. (Imagem: Retirada da página vivointensamenteascoisasmaissimples.blogspot.com) |
Entre 1885, ano de inauguração deste primeiro trecho, até
1963, quando os trilhos da Estrada de Ferro Central de Pernambuco, posterior
Linha Centro, alcançaram Salgueiro, esta ferrovia foi prolongada pausadamente.
Só em 1895 alcançou Caruaru, Arcoverde em 1912, Afogados da Ingazeira em 1949,
Serra Talhada em 1957 e Salgueiro em 1963, esta última num momento em que a
decadência de nosso sistema ferroviário já começava a despontar, tendo em vista
a falta de interesse por parte de nossos governantes com poucos investimentos
para os trilhos, por outro lado cada vez mais investindo nas rodovias.
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| Ponte Phoenix, da EFCP, em Afogados. (Imagem: Mario Carvalho - Acervo Recife de Antigamente) |
Nos muitos anos de seu funcionamento, até quando teve seu
tráfego oficialmente encerrado em 1996, a Linha Centro de Pernambuco
representou uma importante ligação entre a capital pernambucana e a Zona da
Mata, Agreste e Sertão pernambucanos tanto no transporte de passageiros (até o
fim da década de 1980), quanto no de cargas (até 1996). Até mesmo depois do
encerramento de seu tráfego oficial, a mesma serviu para abastecer algumas
cidades que estavam a sofrer com as secas, conforme tratado em postagem do MFPE
(link) – Os trens de água na memória de nossas ferrovias.
Hoje, Pernambuco não tem mais essa ligação ferroviária. A
Nova Transnordestina que está sendo construída, a passos de tartaruga, a fim de
substituir a Linha Centro, tem uma proposta totalmente diferente e, ao
contrário da antiga ferrovia, não passará pelos centros urbanos, uma proposta
um tanto questionável, visto que a opção de se recuperar a ferrovia já
existente, aproveitando-se seu traçado apenas com algumas correções, seria algo
bem mais viável, pois além de manter a memória da velha ferrovia, poderia se
pensar numa reativação do transporte de passageiros e das cargas que se
encontram nos centros dos municípios cortados pela linha. Claro que isso é algo
difícil se de pensar, num país que dispensa totalmente o modal ferroviário em
detrimento do rodoviário.
O panorama da preservação da memória da antiga Linha Centro,
ao longo dos seus 609 km não é bom. Roubo de trilhos em vários trechos, como entre Serra
Talhada e Mirandiba, agora também entre Flores e Carnaíba, nas proximidades de
Sertânia e de Belo Jardim, fora quaisquer outros pontos que ainda não tenham
sido percebidos. Algo lamentável que começou justamente no descumprimento por
parte da ex—concessionária da linha, a CFN, atual TLSA, na fiscalização e
manutenção da linha. Algo lamentável também é a invasão do leito da via férrea
por construções e por asfaltamento, além dos prédios de vilas
ferroviárias e estações abandonados e arruinados ao longo da linha, como é o
caso das estações ferroviárias de Jaboatão e Moreno, ambas na Região
Metropolitana do Recife e Felipe Camarão e Henrique Dias, no Sertão.
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| Acesso a plataforma da estação Jaboatão, nos anos 1990, pouco tempo após seu fechamento. (Imagem: Acervo Emmanoel Lucas) |
Algo lamentável para a memória de nossas ferrovias, em especial da Linha Centro de Pernambuco, é o abandono de uma das estações restantes do primitivo trecho inaugurado em 1885. Falamos da estação Jaboatão, que há anos foi fechada e logo teve seu teto, portas e janelas roubados. O mais lamentável e inaceitável é que a localização da referida edificação é bem no Centro da cidade de Jaboatão, ao lado da estação Jaboatão do Metrô e da integração do SEI. Quando poderia ser mais um cartão postal da cidade, mais um local para manter viva não só a memória ferroviária, mas do próprio município jaboatonense que muito deve à velha estação e as oficinas ferroviárias que foram instaladas pela Great Western no início do século XX próximas da estação, que geraram muitos empregos e fomentaram muito a economia deste município. Ao menos boa parte das oficinas está sendo recuperada pelo SENAI, que está visando manter as características originais. No entanto, a velha estação, além de saqueada, encontra-se tomada pelo mato, o que não representa um motivo para se comemorar estes 129 anos de sua inauguração.
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| Nos anos 1990, após seu fechamento, a estação Jaboatão antes de começar a ser depredada. Pode notar-se em seu pátio alguns vagões, que ali ficaram durante anos. (Imagem: Acervo Emmanoel Lucas) |
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| Em 2002, a situação da estação Jaboatão já era preocupante. (Imagem: Rodrigo Cabredo) |
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| Estação Jaboatão hoje: Lamentável! Como a sociedade brasileira pode aceitar um descaso como este? (Imagem: Acervo Emmanoel Lucas) |
Felizmente, parte da memória da Linha Centro está sendo
salva com algumas cidades preservando suas estações, tais como Salgueiro, Serra
Talhada, Carnaíba, Sertânia, Mimoso (em Pesqueira), Pesqueira, Sanharó,
Tacaimbó, São Caitano, Caruaru, Bezerros, Gravatá, Vitória de Santo Antão;
em
breve também teremos de volta o Museu do Trem do Recife na majestosa Estação
Central que ainda encontra-se em seu ocioso processo de reabertura. Ao contrário da estação Jaboatão, essa encontra-se muito bem preservada; agora, depois de mais uma reforma, o belo e ornamentado prédio da estação Central, que há mais de um século embeleza o bairro de Santo Antônio, no Recife, está às vésperas de ser novamente mais um grande espaço pela memória da ferrovia em Pernambuco, em especial da lendária Estrada de Ferro Central de Pernambuco e sua história de 129 anos.segunda-feira, 17 de março de 2014
Linha Norte: Um panorama da última ferrovia "ativa" de Pernambuco (parte 2)
Nossa viagem pela Linha Norte de Pernambuco começa
justamente na estação Jorge Lins. A mesma, operacional pelo sistema diesel da
CBTU – METROREC representa, ou pelo menos já representou um importante
entroncamento ferroviário do estado. No pátio de Jorge Lins, a Linha vinda de
Cinco Pontas, bifurca nas Linhas Centro (para Salgueiro) e Norte.
O trecho seguinte da Linha Norte de Pernambuco atravessa a
reserva de mata atlântica da família Brennand, acompanhando o leito do Rio
Capibaribe até as proximidades do acesso à Arena Pernambuco, no bairro de Cosme
e Damião. Os trilhos seguem pela periferia de Camaragibe onde alcançam a
estação ferroviária local, um prédio datado de 1906, que possui armazém para
cargas conectado ao prédio principal.
Infelizmente, apesar do valor histórico desta edificação e sua boa localização, encontra-se abandonado e arruinado. A seu exemplo, o leito da linha neste trecho (como em vários outros próximos às áreas urbanas) é interpretado pela população como um lixão, onde abandonam seus dejetos sem respeito algum.
Não muito distante dali está a estação ferroviária de Paudalho. Bem próxima ao Centro da cidade, fica à margem esquerda do rio Capibaribe. Seu pátio também foi de grande importância. Possuía mais de três linhas, além de armazéns de carga. O prédio da estação, datado de 1881, passou por um longo tempo no abandono e agora está quase que totalmente recuperado por meio de um projeto do Arquivo Público Estadual, em parceria com o IPHAN responsável pela restauração do prédio, e a prefeitura local. As características originais da edificação foram recuperadas e agora está por ser mais um cartão postal para a cidade.
Mais aproximados 12 quilômetros atravessando canaviais e
restingas de mata e chegamos à próxima parada, a estação ferroviária de
Carpina, esta que era uma das mais importantes da linha. Era de Carpina que
partiam os trens com destino ao ramal de Bom Jardim, o mesmo que foi desativado
oficialmente pela RFFSA em 1968, já estando desde 1963 sem tráfego. O pátio de
Carpina, por sua vez, possuía três linhas, duas plataformas, armazéns, caixa
d’água e até girador de locomotivas. Hoje, para contar este passado, resistem a
estação (que atualmente funciona como moradia e lan-house), a velha caixa
d’água de ferro que traz em sua estrutura ainda as indicações de seu fabricante
e origem (Londres, Inglaterra) e duas linhas do pátio. A última composição que
passou por Carpina, como já dito em postagem anterior, foi da CBTU – Recife, em
transferência do sistema de trens urbanos de João Pessoa. A mesma ficou parada
no pátio da estação durante um tempo, enquanto os responsáveis por sua condução
faziam um lanche. Nesse meio tempo, várias pessoas movimentaram o local para
tirar fotos, outros mais idosos começaram a relembrar seus tempos de mocidade
quando a estação era movimentada, no lamento de verem o trem parar ali e não
poderem embarcar. E é lamentável realmente nem este primeiro trecho da Linha
Norte de Pernambuco não ter trem de passageiros, pois a demanda é grande e, sem
o transporte sobre trilhos, milhares de pessoas, não somente neste trecho,
ficam a mercê do monopólio do sistema de transporte rodoviário, mesmo que em um
modelo correto deveria servir apenas como complemento ao transporte
ferroviário, no entanto, como se vê não só em Pernambuco, os ônibus e caminhões
passam a “substituir” os trens e daí uma decadência vertiginosa do sistema de
transportes do país.
Deixando Aliança, a Linha Norte atravessa um percurso de
aproximados 20 quilômetros até Timbaúba, trecho intermediado pela estação de
Pureza. Esta por sua vez, a próxima parada de nossa viagem, já serviu de
cenário para o romance do paraibano José Lins do Rêgo, intitulado “Pureza”, que
conta uma envolvente história supostamente vivida por um recifense que vem para
Pureza à procura da saúde e de se revigorar com o ar puro do campo. Nessa
viagem o narrador (e personagem principal) acaba por se envolver amorosamente
com as duas filhas do chefe da estação e por aí se dá o desenrolar do enredo.
O prédio da estação ferroviária
de Timbaúba está razoavelmente preservado e, a exemplo, de Carpina, a
utilização do mesmo como moradia é o que o mantém preservado. Agora, a mesma
ação desenvolvida para a estação de Paudalho, citada na parte anterior desta
matéria, está para ser desenvolvida em Timbaúba, com a revitalização do prédio
por meio do projeto de criação dos arquivos públicos municipais, uma iniciativa
do Arquivo Público Estadual em parceria com o IPHAN-PE e as prefeituras. No
entanto, mais um importante pátio fica no aguardo das composições de carga que
por ele transitaram até pouco tempo atrás.
Assim finalizamos a nossa viagem
pela Linha Norte de Pernambuco, uma ferrovia que apesar de sua importância está
sendo aos poucos deixada de lado também. Em paralelo a isso vemos estações mais
que centenárias sendo abandonadas, trilhos que poderiam estar transportando
cargas e passageiros serem tomados pelo mato e pelo vandalismo de muitos, além
disso, também temos estradas cada vez mais cheias de caminhões e ônibus,
estradas esburacadas e a memória do trem sendo desvalorizada, sem se levar em
conta o quanto seria importante ter linhas como essas na ativa.
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| Estação Jorge Lins ao fundo, à esquerda desvio para Salgueiro e em frente, Linha Norte. (Imagem: Pedro Costa) |
Seguindo a viagem, alcança-se a estação de Curado, também
operacional pela CBTU – METROREC, pelo VLT que faz a ligação Curado – Cajueiro
Seco. A mesma estação é conjugada com a estação Curado, da bitola larga do
METROREC. Mais adiante, logo se avista o pátio ferroviário de Lacerda, onde até
pouco tempo atrás a TLSA mantinha vagões e vez ou outra locomotivas, quando a
Linha Norte estava em atividade. O pátio é grande, são quatro linhas além de
casas de apoio ao pessoal da ferrovia.
Ao fim deste pátio
fica a estação de passageiros de Lacerda, conjugada com a estação TIP do
METROREC e com o
próprio Terminal Rodoviário do Recife. A mesma, em estilo
simples, mas de longa plataforma central, foi construída na década de 1980 e
serviu aos trens de subúrbio para São Lourenço, além do trem de longo percurso
que ainda era operado na Linha Norte. Falasse também que esta estação serviu
como ponto de partida para os trens de passageiros com destino a Salgueiro, que
nos últimos anos de seu funcionamento, partiam de Lacerda e seguiam pela
bifurcação do pátio de Jorge Lins, alcançando Jaboatão e seguindo com destino
ao Sertão do estado.
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| Estação da Rodoviária. (Imagem: Marcos Francisco - Março de 2014). |
Infelizmente, apesar do valor histórico desta edificação e sua boa localização, encontra-se abandonado e arruinado. A seu exemplo, o leito da linha neste trecho (como em vários outros próximos às áreas urbanas) é interpretado pela população como um lixão, onde abandonam seus dejetos sem respeito algum.
Espremida pela zona urbana, a Linha Norte segue seu rumo
alcançando a estação ferroviária de São Lourenço da Mata, de amplo pátio, o que
demonstra o quanto foi importante o mesmo. São várias linhas, além de garagens
para autos de linha e armazéns que já foram demolidos. O prédio da estação, que
já não recebe trens de passageiros há anos, serve hoje de moradia, um destino
que não o mais ideal, no entanto ótimo para manter de pé a histórica
edificação.
| Abandonada, a estação ferroviária de Camaragibe. (Imagem: Arquivo pessoal - 2009) |
Ao passarem do Centro de São Lourenço da Mata, os trilhos
alcançam os abundantes canaviais da Mata Norte e a próxima parada é a pequena
estação de Tiúma, onde mais uma vez o destino de se tornar moradia foi o que
nos permitiu ter até hoje a pequena edificação de pé e preservada.
Logo após Tiúma, a Linha Norte de Pernambuco deixa a Região
Metropolitana do Recife, chegando ao município de Paudalho. Mussurepe, uma
pequena parada, charmosa em sua modesta estrutura de ferro, resistiu ao tempo e
ao abandono, se mantendo como uma das poucas paradas desta ferrovia que serviam
aos povoados de usina, neste caso, a extinta Usina Mussurepe. São Severino dos
Ramos, povoação bastante movimentada pelos seus atrativos religiosos é a parada
seguinte, e mesmo com a importância que tinha a pequena estação para o povoado,
só sobrou a plataforma para contar a história.
| Estação de Tiúma. (Imagem: Arquivo pessoal - 2009). |
| De São Severino só restou a plataforma. (Imagem: Arquivo pessoal - 2012). |
| A pequena parada de Mussurepe, resistindo ao tempo. (Imagem: Arquivo pessoal - 2013). |
Não muito distante dali está a estação ferroviária de Paudalho. Bem próxima ao Centro da cidade, fica à margem esquerda do rio Capibaribe. Seu pátio também foi de grande importância. Possuía mais de três linhas, além de armazéns de carga. O prédio da estação, datado de 1881, passou por um longo tempo no abandono e agora está quase que totalmente recuperado por meio de um projeto do Arquivo Público Estadual, em parceria com o IPHAN responsável pela restauração do prédio, e a prefeitura local. As características originais da edificação foram recuperadas e agora está por ser mais um cartão postal para a cidade.
| Estação de Paudalho, seu pátio e a capela. (Imagem: Arquivo pessoal - 2013). |
| Eis a estação de Carpina. (Imagem: Arquivo pessoal - 2013). |
Continuamos nossa viagem e, seguindo agora de Carpina, a
próxima parada agora é Tracunhaém, da qual a estação ferroviária já não existe
mais, restando apenas ruínas da plataforma.
Nazaré da Mata é o próximo ponto da linha, de amplo e extenso
pátio, possui três linhas, longa plataforma, além de garagem para auto de linha
e local para carregamento de grãos. Apesar de ficar bem à entrada da cidade, a
estação ferroviária de Nazaré da Mata, está sem uso, abandonada e fechada há
anos. A cobertura da plataforma já está se desfazendo pela ação do tempo. Parte
da plataforma já foi tomada pelo mato. Essa estação era tida como ponto de
apoio à TLSA, que utilizava de seu pátio para deixar vagões e também como
parada intermediária para descanso.
Junco e Upatininga são estações intermediárias ao trecho
seguinte (Nazaré da Mata – Aliança), e serviam a povoações de engenho. Hoje,
das mesmas, só restam amostras de ruínas em meio aos canaviais.
| Estação ferroviária de Nazaré da Mata (Imagem: Arquivo pessoal - 2011) |
Não muito distante de Nazaré da Mata, apenas 27 km, está Aliança
e sua estação ferroviária, que fica logo à entrada da cidade. O pátio extenso
da estação de Aliança fica bem a margem do rio Capibaribe – Mirim, e contava
com caixa d’água, armazém e o prédio principal. Hoje a caixa d’água não existe
mais, demolida em mais um ato de vandalismo; o armazém tem uso não identificado
e o prédio principal, em estado deplorável, cada vez mais arruinado e escondido
pelo mato, representa o descaso cometido contra as ferrovias de Pernambuco e
sua memória. Pouco antes do início do pátio de Aliança há uma passagem de nível
(cruzamento com rodovia) da qual quando se olha para suas extremidades, já não
se vêm bem os trilhos, já sem uso há meses e tomados pelo mato.
| Estação de Aliança no abandono. (Imagem: Arquivo pessoal - 2011). |
| A estação de Pureza, relatada no romance de José Lins do Rego. (Imagem: Arquivo pessoal - Janeiro de 2013). |
A estação ferroviária de Pureza servia a um pequeno povoado
e também a usina Cruanji, que embarcava suas cargas para o Recife nos trens da
RFFSA e posteriormente nos trens da TLSA, o que deixou de ocorrer há cerca de 4
anos, segundo um trabalhador da própria usina, que está com suas atividades
suspensas; inclusive a usina ainda guarda em sua garagem, que fica próxima à
estação, duas locomotivas que utilizava na sua malha. A estação de Pureza
possui longo pátio com duas linhas principais e mais três por trás do prédio,
onde ficavam estacionados vagões com cargas da usina. Além do prédio,
infelizmente abandonado, há também a estrutura da antiga caixa d’água. Uma das
extremidades do pátio fica próximo ao uma ponte de ferro bem conservada.
O pátio de Pureza e sua tranquilidade, lamentavelmente
abandonos ficam para trás e nossa viagem continua agora se aproximando de
Timbaúba. Neste trecho da linha há muitas curvas e também percebemos atos de
vandalismo ao patrimônio ferroviário, com alguns dormentes queimados.
Após cruzar canaviais e belos trechos de mata, os trilhos
alcançam Timbaúba, importante cidade da Mata Norte de Pernambuco e que também
mostra o quanto era importante na Linha Norte. Seu pátio ferroviário é enorme, ficando
bem ao centro da cidade e contando com quatro linhas, estrutura para
carregamento de vagões com grãos, caixa d’água, garagens para auto de linha,
casa do chefe, além do prédio principal e de uma plataforma secundária. É este
o último grande pátio da linha antes de cruzar o limite entre Pernambuco e a
Paraíba.
| Trecho da Linha Norte entre Timbaúba e Pureza. (Imagem: Arquivo pessoal - Março de 2013). |
Nossa viagem pela Linha Norte de
Pernambuco se aproxima do fim. A próxima parada agora, logo após Timbaúba, é a
pequena e arruinada estação ferroviária de Rosa e Silva. Esta fica bem próxima à
divisa entre Pernambuco e a Paraíba. Serviu também como estação de apoio à TLSA
anos atrás, porém, conforme relato do site “Estações Ferroviárias do Brasil”,
um incêndio no prédio fez com que o mesmo fosse abandonado e deixado de lado.
Hoje, as paredes e a estrutura de sustentação da cobertura da plataforma
resistem à ação do tempo, em meio ao mato. A pequena estação da Great Western
parece ter seu destino decretado: o abandono e a destruição.
| A estação ferroviária de Timbaúba, um grande pátio e muita história. (Imagem: Arquivo pessoal - 2011). |
Os trilhos cruzam a divisa com a
Paraíba e eis o ponto final de nossa viagem, o triângulo ferroviário da cidade
de Itabaiana-PB. Aqui, a nossa linha Norte se entronca com outras duas linhas:
O ramal vindo de João Pessoa-PB e a linha vinda do Ceará, que cruza o Sertão paraibano,
passando por importantes cidades como Souza-PB e a própria Campina Grande-PB.
Este enorme pátio, conhecido desde os tempos da Great Western como Triângulo,
possui várias linhas, galpão de manutenção de locomotivas e uma estação
operacional da TLSA. Quando fizemos a visitação ao pátio, pudemos perceber o
quanto foi importante e quanto é amplo este complexo ferroviário. Ainda hoje é
ponto de apoio da TLSA, mas praticamente inativo. Hoje um único funcionário da
companhia toma conta do local. No galpão onde até pouco tempo eram realizadas
manutenções em locomotivas e vagões, apenas há um auto de linha da TLSA
utilizado para fazer simples vistorias, nada de mais, no trecho paraibano
administrado pela concessionária. Segundo o funcionário da TLSA de Itabaiana, a
mesma está a se centralizar cada vez mais em Fortaleza, levando para lá boa
parte do material das oficinas paraibanas e também de Pernambuco e Alagoas. A
situação é lamentável. O único trem que está programado para passar pelo
Triângulo é o Expresso Forrozeiro, ou o Trem do Forró de Campina Grande, que
faz o percurso João Pessoa – Campina Grande nas festas juninas.
Uma esperança para reativação de
parte da Linha Norte, segundo notícia do último dia 12 de Março de 2014, do
site “Giro pela Mata Norte”, é a que vereadores das câmaras de Carpina,
Paudalho e Nazaré da Mata fizeram pedido à CBTU de ampliação do sistema de
transporte de passageiros para Nazaré da Mata, isso feito a partir da
manifestação de interesse dos alunos do Campus Nazaré da Mata, pelo fato de os
trilhos da Linha Norte passarem bem próximos ao local e que sua reativação
seria de grande proveito para os cerca de 2000 alunos da Universidade que se
deslocam diariamente entre as referidas cidades e o Recife.
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| Galpão de manutenções do pátio de Triângulo. (Imagem: Arquivo pessoal - Março de 2014). |
quarta-feira, 5 de março de 2014
Linha Norte: Um panorama da última ferrovia "ativa" de Pernambuco (Parte 1)
São aproximados 135 km quilômetros entre a capital
pernambucana e a divisa com a Paraíba que representam o trecho dentro do estado
da Linha Tronco Norte de Pernambuco. A mesma que teve como embrião a Estrada de
Ferro do Recife ao Limoeiro, foi construída pela Great Western no fim do século
XIX, tendo sido seu primeiro trecho inaugurado em 1881 e em 1888 alcançou
Timbaúba, o último município pernambucano pelo qual a linha passa. Em 1900, esta
linha vinda de Pernambuco, encontrou-se com a Estrada de Ferro Conde D’Eu, da
Paraíba, concretizando uma ligação de sucesso entre as porções sul e norte da
Região Nordeste.
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| Trecho da Linha Norte entre Carpina e Paudalho (Imagem: Arquivo Pessoal - Janeiro de 2014) |
A partir do Recife, por meio da Linha Norte, pode-se chegar no
estado da Paraíba e no Ceará. Antes também se podia alcançar o Rio Grande do
Norte, o que já não é mais possível, tendo em vista as más condições atuais do
ramal que permitia isso, a partir da estação Paula Cavalcanti, na Paraíba.
Com a progressiva desativação de nossas ferrovias,
inicialmente do sistema de transporte de passageiros de longo percurso,
importantes troncos ferroviários do Nordeste ficaram no abandono, como é o caso
da Linha Tronco Centro (Recife – Salgueiro), abandonada logo após a
privatização em 1997. A Linha Tronco Sul, que fazia a ligação entre o Recife e
o estado de Alagoas, servindo como ligação entre Pernambuco e o Sul – Sudeste
do país também entrou no abandono. A recuperação da mesma pela Transnordestina Logística S/A (TLSA), sua
concessionária até então, trouxeram esperanças na reativação desse importante
tronco ferroviário do Nordeste, fato que esbarrou nas cheias de 2010 e 2011 que
destruíram o leito da via em vários pontos, tanto em Pernambuco como em
Alagoas, onde as chuvas foram mais devastadoras ainda.
A situação ficou a seguinte: Linha Centro totalmente
abandonada, Linha Sul parcialmente afetada pelas chuvas aguardando novas
definições do governo e, por sua vez, a Linha Norte, a única que continuou em
operação, que, a essa altura (2010) já não era tão regular como nos tempos da
RFFSA ou como no início da concessão privada. Era esta a única linha a oferecer
condições de tráfego ainda, e a própria TLSA ainda operava a mesma com seus
cargueiros.
Apesar de a concessionária ainda ter mantido essa linha
ativa, os cargueiros ficaram cada vez mais raros. Os mesmos eram mais comumente
vistos passando à beira da Avenida Belmino Correia em São Lourenço, ou passando
na estação Rodoviária, próximo ao pátio ferroviário de Lacerda, no Recife, este mesmo que
também sempre tinha vagões ou locomotivas parados em suas linhas.
Hoje, o mato cresce sobre os trilhos da Linha Norte, que há meses já não é utilizada. A última composição a utilizar a linha foi da CBTU - Recife, em Agosto de 2013, em devolução da CBTU – João Pessoa. A mesma composição, formada pela locomotiva ALCO RS-8 número 6011, tracionando cinco carros pidner, encontrou muitas dificuldades para chegar ao Recife, o que demonstra já a falta de manutenção da Linha, que há mais tempo ainda não recebe trens cargueiros. Além desta composição, algumas semanas antes um trem da própria concessionária da linha, a TLSA, de capina química*, havia vindo até o Recife e retornado brevemente.
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| Composição da CBTU - Recife, o último trema transitar pela Linha Norte até então (Imagem: Arquivo Pessoal - Agosto de 2013) |
Hoje, o mato cresce sobre os trilhos da Linha Norte, que há meses já não é utilizada. A última composição a utilizar a linha foi da CBTU - Recife, em Agosto de 2013, em devolução da CBTU – João Pessoa. A mesma composição, formada pela locomotiva ALCO RS-8 número 6011, tracionando cinco carros pidner, encontrou muitas dificuldades para chegar ao Recife, o que demonstra já a falta de manutenção da Linha, que há mais tempo ainda não recebe trens cargueiros. Além desta composição, algumas semanas antes um trem da própria concessionária da linha, a TLSA, de capina química*, havia vindo até o Recife e retornado brevemente.
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| Trem de Capina Química, no momento em que passava em Tracunhaém (Imagem: Robson Santana) |
De lá para cá, a Linha Norte, que é a última ainda ativa do
estado, o que já não é um fato, tendo em vista as raríssimas composições que a
utilizam, demonstra em seu panorama traços de abandono que representam uma
verdadeira falta de respeito com o patrimônio público ferroviário nacional e
com a memória de nossos trilhos.
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| Linha Norte próximo a parada de Mussurepe (Imagem: Arquivo pessoal - 2013) |
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| Estação Ferroviária de São Lourenço. Hoje é utilizada como moradia. (Imagem: Arquivo pessoal - 2009) |
Nada disso mais se vê agora, e os trilhos da Linha Norte de
Pernambuco continuam cada vez mais ficando esquecidos e despercebidos por onde
passam.
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| Estação Ferroviária de Timbaúba. (Imagem: Arquivo pessoal - Março de 2013) |
Na segunda parte desta matéria sobre a Linha Norte de
Pernambuco, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco fará uma viagem pelos
trilhos desta linha, mostrando vários de seus pontos de parada até Timbaúba.
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