sábado, 7 de abril de 2012

Abril, mês do ferroviário

  O Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco parabeniza e homenageia todos os ferroviários e ex-ferroviários por essa data. No próximo dia 30 de Abril é comemorado o dia do ferroviário, profissão que ajudou a construir o país e que hoje não se encontra valorizada como deveria ser.
  Maquinistas, foguistas (no tempo das locomotivas a vapor), chefes de estação, engenheiros, telegrafistas e tantos outros cargos existiram na vida ferroviária. Nas mãos desses trabalhadores estava a responsabilidade de conduzir muitas vidas a seus destinos e toneladas de cargas em grandes e variadas composições. Foi com essa responsabilidade que os mesmos ajudaram e ainda ajudam no crescimento e desenvolvimento do Brasil e de muitas outras nações.
Maquinista na primeira locomotiva de Pernambuco.

Ferroviários em greve em frente a estação ferroviária de Jaboatão. (Fonte: Blog - Jaboatão Redescoberto).

Maquinista da CBTU. (Fonte: Site da CBTU).

Ferroviários na estação de Russinha. (Fonte: Livro " Antologia Ferroviária do Nordeste" - Alcindo Souza).

Maquinista da velha "Great Western Brazil". (Fonte: Livro "História de uma Estrada de Ferro no Nordeste").

Maquinista conduzindo trem do forró na Serra das Russas, na década de 1990. (Fonte: Livro "Da Great Western ao Metrô do Recife").
 Fica a breve homenagem do Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco aos ferroviários e ex-ferroviários.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Estação de Arcoverde em chamas em seu centenário

  A estação ferroviária de Arcoverde, inaugurada em 1912, completa neste ano 100 anos. Nesta semana ocorreu com a edificação um fato que chocou parte da população local e a nós, amantes da ferrovia. A velha estação foi incendiada. Segundo a notícia postada no blog "Arcoverde de todos" (http://arcoverdedetodos.blogspot.com/2012/02/fogo-destroi-liga-dos-bois-na-estacao.html), o incêndio ocorreu na madrugada do dia 19 (Domingo), enquanto o cantor Zeca Baleiro se apresentava pelo carnaval da cidade. O fogo começara por volta da 1h40min da madrugada, justamente quando foi percebido por moradores das proximidades. Às duas da madrugada os bombeiros foram acionados, chegando à Arcoverde às 3h35min, quando o fogo já havia sido praticamente apagado por carros-pipa da Secretaria de Serviços Públicos, o que não conseguiu evitar os estragos no lado direito da estação,  onde o teto veio a baixo.
  Ainda, segundo a mesma publicação, os bombeiros suspeitam da precariedade das instalações elétricas da construção como causa do incêndio.
  Embora com o incêndio muito tenha se perdido, como o acervo da agremiação carnavalesca "Liga dos Bois"que ficava guardado e era confeccionado no local, o prédio não teve muito de sua estrutura afetada. Resta agora incentivar, apoiar e procurar ajudar à Associação Estação da Cultura, responsável pela preservação do local, à recuperar este patrimônio centenário e dar continuidade ao seu belo trabalho de promoção da cultura. (Site da Associação: http://www.estacaodacultura10anos.com.br/)

Abaixo fotos do ocorrido:
A estação após o incêndio (Fonte: http://arcoverdedetodos.blogspot.com)

(Fonte: http://arcoverdedetodos.blogspot.com)

Parte do telhado danificada pelo incêndio . (Fonte: http://arcoverdedetodos.blogspot.com)

(Fonte: http://arcoverdedetodos.blogspot.com)

A estação na hora do incêndio (Fonte: Facebook - Mandala de Teatro).

 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

154 anos de história do trem do Cabo

  Foi no dia 8 de Fevereiro de 1858, da estação de Cinco Pontas (ao lado do forte de mesmo nome) no Recife, ao meio dia, que partiu o primeiro trem do estado de Pernambuco, num percurso de 31,5 km em bitola larga (1,60 m), conduzindo 400 pessoas com destino à estação do Cabo. Estava inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco. As estações do referido trecho eram: Cinco Pontas, Afogados, Boa Viagem, Prazeres, Ilha, Santo Inácio e Cabo.
  Mário Sette,  conta como foi a chegada da ferrovia no estado em sua publicação "O segundo trem do Brasil":
  "No começo haviam dois trens para o Cabo, um às nove da manhã e outro às cinco da tarde. As passagens e 1ª classe custavam quatro mil réis. Ir ao Cabo de trem "virara moda" na época. Os anúncios diziam que nenhum entretenimento se comparava a essa excursão " num cômodo banco de carruagem puxada por locomotiva possante, vendo pelas janelinhas canaviais, cajueiros, praias e coqueirais, mangues e colinas". Havia mesmo um Grande Hotel do Cabo, que oferecia aos turistas hospedagem com descentes e abundantes iguarias, belo banho e ótimo jardim, tudo isso acompanhado de uma banda de música militar para os divertimentos da noite (...)". (FONTE: "HISTÓRIA DE UMA ESTRADA DE FERRO NO NORDESTE" - ESTEVÃO PINTO - 1949)
  No último dia 8 de fevereiro, completaram-se 154 anos da inauguração do trem do Cabo. Hoje, praticamente só existe a velha estação do Cabo para contar a história e o velho trem diesel que será substituído pelo VLT. Da estação de boa viagem, como relatamos em postagem anterior, parecem ainda existir suas ruínas (http://memoriaferroviariadepe.blogspot.com/2011/05/estacao-de-boa-viagem-foi-realmente.html). A estação de Cinco Pontas foi demolida para dar passagem à avenida Sul, outras transformadas em modernas estações da Linha Sul do Metrorec, desvalorizando assim boa parte dessa grande história. E assim segue a história da segunda estrada de ferro do Brasil, a primeira do Nordeste.

A seguir algumas imagens históricas do Trem do Cabo:


A primitiva estação de Boa Vigem, provavelmente nos anos 1980. (Fonte: Acervo do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco)

A estação do Cabo, com trens em seu pátio, provavelmente nos anos 1980. (Fonte: Acervo do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco)


A estação do Cabo na década de 1980. (Fonte: Acervo do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco)


A última estação de Cinco Pontas, utilizada até o fim da década de 1990. (Fonte: Acervo do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco)


Foto da esplanada das Cinco Pontas. Na foto vê-se a primitiva estação de Cinco Pontas (parte inferior da foto) ao lado do Forte de mesmo nome.  (Fonte: Acervo do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco)


A bela e primitiva estação de Prazeres, entre as décadas de 70 e 80.  Infelizmente não foi preservada pela R.F.F.S.A. e substituída por uma outra mais moderna que mais tarde também cedeu lugar à estação de mesmo nome do Metrorec. (Fonte: Acervo do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco)


A imponente edificação da foto é a estação incial de Cinco Pontas. Foi esta a primeira estação ferroviária de nosso estado, mas acreditem, foi demolida no fim da década de 60 para dar passagem a Avenida Sul. (Fonte: Blog do Fábio Torres - http://verne-fabio-torres.blogspot.com/2011/08/estacao-ferroviaria-de-cinco-pontas.html)
Foto triste para todos os amantes da ferrovia. Esta imagem é da demolição da estação de Cinco Pontas, em 1969, simplesmente para dar lugar à uma avenida. Isto é vergonhoso!  (Fonte: Blog do Fábio Torres - http://verne-fabio-torres.blogspot.com/2011/08/estacao-ferroviaria-de-cinco-pontas.html)


Foto nostálgica. Esta locomotiva, a número 1 do estado, fez a viagem inicial entre Cinco Pontas e Cabo em 1858. Deveria estar exposta e preservada na estação Central do Recife, porém não se sabe seu destino que possivelmente foi a sucata. 

 
Trem diesel na estação do Curado, ainda resistindo ao progresso e à falta de censo do brasileiro com relação a preservação da sua história. (Foto : Arquivo pessoal - 2008).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A velha parada de Tapera e a caixa d'água de Tamatamerim

  Inaugurada em Novembro de 1885, no quilômetro 38 da Estrada de Ferro Central de Pernambuco, a Parada foi de grande serventia ao antigo povoado de Tapera, hoje Bonança, um dos principais distritos da cidade de Moreno. Ficou sendo ponta de linha por cerca de dois meses quando foi inaugurada a estação seguinte, Vitória.
  A pequena construção da estação resistiu mais de cem anos. Em 2002 ainda estava de pé, de acordo com as fotos de Luiz Ruben F. de A. Bonfim em seu livro "Estrada de Ferro Central de Pernambuco" e postadas no site Estações Ferroviárias do Brasil por Ralph Mennucci Giesbrecht.
  No mês de Janeiro de 2012, visitamos o local da antiga estação. Um morador local nos indicou o local onde ficava a estação, da qual nem a plataforma restou. Curiosamente, a casa do agente da estação ainda existe e, segundo o mesmo morador ninguém mexe no antigo prédio; mesmo mal conservado ainda resiste ao tempo e às novas construções que lhe cercam.  Falou-nos também de um certo "Zé Preto" que havia trabalhado na ferrovia e que era também da localidade.
 A seguir, fotos da estação em 2002, quando ainda estava de pé.
A parada de Tapera em 2002. Notar um ônibus passando próximo à construção, na BR-232. (Fonte:  Site - Estações Ferroviárias do Brasil - Autor da foto: Luiz Ruben F. de A. Bonfim - 2002). 

A parada de um outro ângulo. (Fonte:  Site - Estações Ferroviárias do Brasil - Autor da foto: Luiz Ruben F. de A. Bonfim - 2002).



  Abaixo, fotos da antiga casa do chefe do local que nos foi indicado onde ficava a antiga parada.


A velha casa do chefe, resistindo firme com seus quase 125 anos. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).

Novas construções já cercam a velha construção. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).

(Foto: Arquivo pessoal- Janeiro de 2012).

O local indicado onde ficava a parada de Tapera. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).

O local da antiga parada. Os trilhos podem ser vistos ainda, quase totalmente cobertos por terra. Lembrando que faz pouco mais de dez anos que o trem do forró, com destino a Caruaru, cruzou os  mesmos trilhos  (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2012).
  Seguindo sentido Vitória, a uma distância de cerca de 5 quilômetros do local da parada de Tapera, à beira da BR-232 existe curiosamente, na frente da pedreira Itamatamirim, uma antiga caixa d'água para abastecimento do trem. Esta caixa fazia parte de um antigo ponto de parada da ferrovia chamado Tamatamerim. Visitamos e fotografamos o local em Janeiro de 2009. No livro de Estevão Pinto, " História de uma estrada de ferro no Nordeste" de 1949 não há nenhuma indicação quanto a parada, nem constatamos se houve alguma construção para a parada do trem além da velha caixa d'água. Talvez, Tamatamerim fosse apenas um ponto para o abastecimento das velhas locomotivas a vapor. Quanto ao nome "Tamatamerim" ainda não há certeza, pois o nome da pedreira é "Itamatamirim"; seria este também o nome do ponto de parada? De qualquer forma, a antiga e curiosa caixa d'água resiste a ação do tempo.
  A seguir fotos da velha caixa d'água.
A velha caixa d'água. As fotos ficaram um pouco escuras pois foram feitas  por volta das cinco da manhã. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2009).

A BR-232, a caixa d'água e a pedreira  Itamatamirim por trás. (Foto: Arquivo pessoal- Janeiro de 2009).

Agora a caixa d'água seve como outdoor. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2009).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A estação e o túnel de Maraial

 No início de 2010, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco visitou algumas estações da antiga Linha Sul. Durante esta expedição visitamos também  a estação e o túnel existentes na cidade de Maraial, localizada a cerca de 133 km do Recife.
  A estação de Maraial foi inaugurada no ano de 1884 . Junto com a ferrovia, Maraial cresceu e tornou-se cidade, separando-se de Água Preta em 1928. 
  Esta estação funcionou até meados dos anos 1980. Hoje encontra-se abandonada e em condições razoáveis.
  Cerca de 1 km a frente (sentido Maceió), localiza-se o Túnel de Maraial que, a exemplo da estação,  foi feito pela "Recife ao São Francisco Railway Company" e inaugurado em 1884. Possui 107,70 metros de comprimento,  sendo o segundo aberto em Pernambuco. 
  Sua estrutura interna é bastante interessante. A parte superior possui uma espécie de ladrilho, enquanto as partes inferiores das laterais são mais grosseiras.
  Nesse trecho da linha as elevações são maiores, o que ocasionou a construção deste túnel e a alargação de valas entre os montes para permitir a passagem da ferrovia sem grandes e custosos desvios.
  Junto com a ferrovia, o túnel de Maraial deixou de ser utilizado por alguns anos. Em 2007, a ferrovia entrou em recuperação para integrar a Transnordestina e o túnel também foi limpo.
  A velha estação e o túnel de Maraial guardam uma boa parte da nossa história. Foi por ali que passou tantas vezes o trem com destino a Maceió e a Garanhuns, numa época saudosa em que o trem era o principal meio de transporte para muitos.
  (Segue um vídeo do Túnel de Maraial - http://www.youtube.com/watch?v=9oaMC9OaJXM)
  Veja abaixo algumas imagens da estação e do túnel.



A velha estação de Maraial. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

A estação, com quase 130 anos, resisti firme ao tempo. (Foto:  Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

Fachada da estação. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

O dístico da estação ainda traz a velha grafia do nome " Marayal". (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

A plataforma e o pátio da estação. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

O túnel de Maraial. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

Estrutura interna do túnel. (Foto: Arquivo pessoal- Janeiro de 2010). 

Os trilhos da antiga Linha Sul cruzam o túnel. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).

O túnel de Maraial em contraste com a paisagem da Zona da Mata. (Foto: Arquivo pessoal - Janeiro de 2010).


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Desvalorização da antiga Linha Centro em Arcoverde

 No último Domingo, 30 de Outubro, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco em passagem por Arcoverde constatou mais um ato contra o patrimônio ferroviário de Pernambuco. Como se já não bastasse o asfalto ter coberto os trilhos em vários trechos, uma obra realizada pela prefeitura local numa das principais vias de acesso da cidade fez com que os antigos trilhos fossem em boa parte retorcidos e alguns foram até cortados. Estes trilhos foram colocados ali por volta do ano 1911, pela antiga Great Western e foram fundamentais para o desenvolvimento da cidade. 
  Enfim, é triste ver algo que em outro momento foi tão importante para a população, não só de Arcoverde, ser desprezado dessa forma. Claro que isso não ocorre só nesta cidade. Infelizmente, não há intervenção dos órgãos públicos contra isso e a história de nossas ferrovias vai sendo corrompida cada vez mais.
  Veja abaixo as fotos tiradas pelo MFPE.


Trilhos na entrada de Arcoverde. (Fotos: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Pode notar-se a terra sendo retirada debaixo da linha. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Trilhos retorcidos num dos principais acessos da cidade de Arcoverde. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Nesta foto os trilhos, juntamente com os dormentes, foram praticamente soltos. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Os trilhos distorcidos (Sentido Arcoverde-Recife). (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MFPE visita exposição da APEFE na estação Central

  No último dia 1º de Outubro, o Projeto Memória Ferroviária de Pernambuco foi conferir na Estação Central o trabalho exposto pela Associação Pernambucana de Ferreomodelismo (APEFE). Lá havia uma bela réplica da maquete da Associação, bastante detalhada e com um certo realismo. Também haviam pequenas composições na escala HO, fotos antigas de locomotivas antigas de outros países e vários lugares do Brasil , inclusive Pernambuco. Haviam dois banners: um trazia para o público um pouco da história do ferreomodelismo, o outro um resumo da história ferroviária de Pernambuco, sendo este uma contribuição do MFPE à exposição da APEFE.  
  Quem quiser conferir de perto o trabalho da APEFE, basta ir até sua sede que fica localizada à Rua Ana Aurora, Areias, Recife-PE – dentro do antigo pátio de manutenções de Edgard Werneck, próxima a estação Werneck do metrô.
  Veja as fotos do evento.
Réplica da maquete da APEFE. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Miniaturas da APEFE. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Réplica artesanal da estação de Pesqueira. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

Banners na exposição. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).

(Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).



Parte da equipe da APEFE presente no evento. (Foto: Arquivo pessoal - Outubro de 2011).